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Martyrs

Eu vivo metendo o sarrafo nos filmes de terror abobalhados e cheios de clichês. Porque me irrita! É lamentável ver uma história onde todo mundo age como idiota, até uma folha caindo da árvore fica sinistra com o volume estourando no máximo e cria-se explicações bisonhas para os atos dos personagens.

Então, lá pelo início do ano, cai em minhas mãos essa obra de arte do horror francês chamada Martyrs.

No dia em que assisti fiquei chocado com a brutalidade e o inferno de depravação criados por Pascal Laugier, este diretor sensacional. Martyrs é aterrorizante, violento, perturbador de verdade.

Como queria falar dele aqui, assisti novamente ontem. E apesar de continuar sendo um filmaço, a experiência foi bem diferente. Mais tranquila, se é que isso é possível. É exatamente por isso que não vou falar quase nada sobre a história. Qualquer spoiler aqui pode arruinar todo um trabalho de surpresa e criação de tensão extrema.

Então vamos ser bem rasos, ok? Misturando elementos de torture-porn, como em O Albergue, e assombrações orientais, como O Chamado, Martyrs conta a história de uma garota atormentada por fantasmas do passado. Em busca de vingança, ela e sua amiga de infância envolvem-se em eventos sinistros que levam a um desfecho tão bizarro quanto todo o restante da história.

Resumindo, se você quer ver um filme de terror de verdade confia em mim e vai fundo. Mas já aviso: não é todo mundo que vai gostar desse filme. Na verdade, não é todo mundo que vai suportar ir até o fim desse filme.

Veja por sua conta e risco e depois me diga o que achou. Gostando ou odiando, tenho certeza de que você não vai conseguir ficar indiferente a ele.

O que é legal: Duas francesas lindas e sensuais em situações extremas, muito sangue na tela, tensão psicológica, nervos em frangalhos. E camiseta branca molhada na chuva.

O que não é legal: Dormir depois de assistir.

Assim como este post, o trailer tenta não dar spoilers e acaba sendo meio vago. Vê aí:

O que é mais legal em um filme de terror? Mostrar uma menina que na verdade é adulta e possui uma doença louca e improvável ou brincar com os medos que existem em cada um? Pois bem, quando a segunda opção é feita com competência, tem tudo para tornar-se um sucesso.

Quantas vezes você não ouve barulhos estranhos durante a noite? Na maioria dos casos eles vêm do encanamento, do vento, de estalos nos móveis ou na geladeira. Mas… E se não vierem? Buuuu! Vistam suas fraldas e preparem-se para um grande cagaço!

Este medo tão comum é a base de Paranormal Activity. Mas, ao invés de virar para o lado e dormir, o casal Micah e Katie decide instalar uma câmera no quarto e filmar tudo que acontece durante a noite. E saber que algo acontece enquanto você não vê é bem assustador. Principalmente quando, já nas primeiras gravações, fica comprovado que há uma entidade demoníaca na casa, perseguindo Katie desde os oito anos de idade e assombrando a vida do casal.

É sobre estas evidências que o diretor estreante Oren Peli constrói seu filme. Usando imagens documentais, como na Bruxa de Blair, tudo fica mais verdadeiro. Não é inovador, mas funciona muito bem. Prova disso é que Paranormal Activity é o maior fenômeno de bilheteria dos últimos tempos, faturando um turbilhão de dinheiro. O que não significa, vejam só, que seja um filme memorável. Mas como diversão é um puta entretenimento.

Se você passar por ele com tranquilidade, sem gritinhos histéricos nem choradeira, pode ir para o terror francês Martyrs. Esse sim é um filmaço perturbador. Em breve falo dele aqui, porque realmente vale a pena.

Até lá, convide aquela gatinha e vá ao cinema assistir Paranormal Activity. Certeza que ela vai querer dormir na sua casa.

O que é legal: No início, a assombração manifesta-se basicamente através de barulhos. No decorrer do filme as coisas vão ficando cada vez piores. A tensão vai crescendo, e os sustos ficando cada vez melhores. Tudo isso sugerindo ao invés de mostrar, o que abre as portas da imaginação e nos poupa de recursos apelativos.

O que não é legal: No meio do filme o roteiro se perde um pouquinho, tentando justificar algo que não precisa de justificativa por meio de uma história paralela. Mas passa na boa.

O trailer mostra também a reação da plateia em algumas cenas. Tem gente ali que não vai ver Martyrs

Assisti de volta. Sempre que quero dar umas risadas ponho esse DVD.

É engraçado pra caralho!

Lançado em 2007 e dirigido por Greg Mottola, Superbad é mais um filme da turminha do Judd Apatow e Seth Rogen, os caras que comandam a comédia atualmente em Hollywood. Então, é de se esperar que ele vá na mesma levada que tem catapultado filmes como Ligeiramente Grávidos e O Virgem de 40 Anos ao sucesso: trabalhar um tema batido pra cacete com uma abordagem bem moleque, cheia de ginga, com piadas envolvendo drogas e nerdices.

Aqui, no caso, o tema é o mesmo dos lazarentos American Pie e tantos outros do mesmo estilo. Pouco antes da formatura do colégio, três grandes amigos – o gordo neurótico e exibido, o magrelo de coração mole e o nerdzinho caricato – bolam um plano genial para conseguirem transar antes de chegarem à universidade. Mas como nossos heróis cabaçotes irão fazer isso? Surge um plano. Comprar bebidas para a festa de uma garota com a carteira de identidade falsificada de um deles. É claro que o plano não sai bem como eles imaginavam, e então começa um ataque de piadas hilárias e politicamente incorretas envolvendo pinto, menstruação, Star Wars e virgindade adolescente.

Além de engraçado, chega a ser cativante. Recomendo muito para você, amigo, que está aí meio borocoxô porque tomou uma comida de rabo do chefe, ou para você, amiga que está aí se enchendo de sorvete e brigadeiro porque o professor de Body Pump só te quis por uma noite e nada mais.

Se ainda não viu vai lá, é de se cagar de rir.

O que é legal: Muitos diálogos engraçados, piadas inteligentes, piadas pastelão, grandes sacadas! Pro Jason Biggs aprender que esconder o pinto com torta de maçã não é engraçado.

O que não é legal: Tem uma piada ali com os Beatles que não ficou convincente vinda da boca de um guri de 17 anos. O Greg Mottola se emocionou e deixou essa aí picar no roteiro.

Taí o trailer, ruim e cheio de spoiler:

Chocolate

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Gangues. Chefões de fase. Lutinha de espadas. Voadora!

Apesar da japa bonitinha e o nome de comédia romântica na capa… Chocolate é um filme de kickboxing! De porradaria a rolê!

E é feito na Tailândia, a terra dos kickboxers!

A história toda gira em torno de uma menina, filha de um Yakuza com uma criminosa tatuada erótica. A garotinha tem autismo, e passa os dias assistindo a filmes de pancadaria. Ela desenvolve o talento de lutar, mas ele só é colocado em prática quando a família precisa de dinheiro e ela resolve cobrar o faz-me-rir que algumas pessoas devem pra mãe dela.

Aí o pau come.

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Voadora, cotovelada, joelhada… Ela desce o braço! Na fábrica de gelo, no açougue, a menina vai pra guerra. Tudo isso enquanto a trama desenvolve um lado meio dramalhão, mas que não atrapalha em nada as cenas de ação, e que vai culminar em duas das cenas mais legais que eu já vi. A última pancadaria é coisa de videogame, dá gosto de ver.

Porra, o Zack Snyder e o Cristopher Nolan deviam ver esse filme pra aprender a fazer cena de luta, não aquelas merdas do Watchmen e do Batman.

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E tem mais: Prachya Pinkaew, o diretor do filme, fez tudo sem cabos, sem dublê, sem nada. A porradaria é de verdade, nos créditos aparecem algumas cenas. Tem ator caindo da marquise, tomando chute na cara, é um festival de gelo e maca pra tudo quanto é lado.

O que é legal: Sabe quando você era moleque, assistia a filmes de ninja e queria chegar na escola dando voadora em todos os seus amigos? Então.

O que não é legal: Tem uma trama paralela educacional que envolve o autismo, na melhor escola Glória Perez de novelas temáticas. Mas, pelo que andei vendo, parece ser uma característica meio tailandesa mesmo todo esse melacuequismo.

E o chocolate? Aí você vai ter que ver o filme. Mas no trailer aí embaixo já dá pra sacar qual é:

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Me emocionei.

Vamos começar com a melhor cena de todo o filme: os quatro sobreviventes do contágio desmorto, em uma mansão de Beverly Hills, fumando maconha com o Bill Murray zumbi!!!

Porra, três linhas e já dava para dar nota 10 pra este filme!

Mas ainda tem muito mais. Pegue este roteiro bobinho do moleque do Adventureland que, diante da invasão dos zombies, decide ir até sua cidade encontrar os pais que sempre foram ausentes. No caminho ele conhece pessoas que realmente eram o que ele imaginava como uma família.

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Mequetrefe hein? Agora, junte a esta novelinha zumbi estilo Rede Record um Woody Harrelson assassino por natureza, a guria do Superbad, a Pequena Miss Sunshine com uma 12 na mão, piadas espertas pra caralho, uma direção muito massa, aquele clima de “ah, que pena que acabou” e, finalmente, For Whom The Bell Tolls… Pronto, você tem um filmaço! Uma zumbificina sem precedentes! Uma comédia com tudo que é legal, humor ácido, referências a um monte de filmes e nerdagens, Metallica!

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Estou com uma baita inveja do Ruben Fleischer, o diretor. Queria muito que fosse o meu nome naqueles créditos legais pra cacete ao invés do dele.

Zombieland é o tipo de filme divertido que eu gostaria de ter feito. Demais!

O que é legal: Tudo.

O que não é legal: Nada.

Taí o trailer. Vale muito o ingresso abusivo dos cinemas:

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Eu ando meio brabo com essa recente onda de vampiros. Não só por eles serem dândis, maquiados e recém-saídos daquelas últimas páginas da VIP. Mas, principalmente, por fazerem tanto sucesso depois de tão pouco trabalho.

Há quanto tempo não existia um filme de vampiro? Enquanto isso, os outros monstros estavam dando duro, suando, ralando a peita. Quebrando pedra em mina! Todo ano sai pelo menos um filme de zombies mundo afora. Os desmortos tomando tiro na cara, machadada, pegando fogo… E mesmo assim sem alcançar o sucesso que os vampiros conseguiram com a criançada.

Pois bem. Neste ano, nos confins gelados da Noruega, o diretor Tommy Wirkola teve a maravilhosa ideia de reparar esta injustiça e fazer um filme com os fedegosos. Só por termos zumbis se arrastando na neve já valeria a pena. Mas isso não bastou para nossos amigos da terra do bacalhau. Então eles adicionaram um pequeno detalhe aos monstros: os zumbis são nazistas, de uniformes e suástica no braço! E estão loucos para devorar um bando de estudantes refugiados em uma cabana deserta no meio do nada. Vamos à lista de patetas: dois casais frágeis, um herói solitário esperando a namorada que foi esquiar, um alívio cômico que só fala besteira, uma gostosa solteira e gostosa (gostosa) e, claro, um gordo. Esse aí é fã de filmes, e usa uma camiseta do Fome Animal. Pelo menos isso.

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Então o gordo tem a triste, porém urgente, vontade de usar a casinha. Sem metáforas: cagar. O que ele não sabe é que a trabalheira de sair no meio da neve e ainda colocar a bunda pra fora seria recompensada por um ato fruto do bizarro. A gostosa surge do nada no banheiro e assedia o gordinho! Trepa no colo dele enquanto o cara tá limpando a bunda! É a deixa para os dois confirmarem o clichê dos filmes de terror: quem transa morre. Não dá outra: os zumbis atacam a gostosa (o gordo foi pra dentro do chalé), e então começam a barbarizar com os jovens.

Ao contrário da maioria dos filmes, onde os personagens fogem inultilmente, em Dead Snow a turma vai pra porrada! E olha que ninguém economiza na hora de sair no braço com os nazis-mortos-vivos. É aí que entra em cena um aparato completo de armamentos, que vai de facas e foices a um trenó equipado com uma metralhadora. Só dá cérebro, instestino e cabeça para tudo quanto é lado. Um show de desmembramentos.

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Dead Snow é diversão garantida. Sem pretensão nenhuma, o único objetivo aqui é fazer um filme de zumbis bacana e engraçado. E não é que os putos da Noruega conseguiram?

O que é legal: Ao contrário daquela bobajada da Órfã, aqui o diretor usa os cllichês quase como uma homenagem. É tudo assumido mesmo, tem cabana na floresta e celular que acaba a bateria, e os personagens até comentam sobre isso. Funciona que é uma beleza.

O que não é legal: Tem horas em que o clichê passa dos limites. Algumas cenas de ação com esportes, como o herói-exterminador dando saltos olímpicos com um trenó nos morrinhos de neve, podiam fácil ficar fora do filme. Junto com suas trilhas sonoras radicais. Nessas horas até dei razão para o Coronel Herzog e sua turma zombie-ariana atacarem essa gurizada mimada.

Os caras levaram a sério demais a questão dos clichês. Até Karmina Burana tem no trailer! Épico.

Primer

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Orçamento de sete mil dólares. Física. Química. Matemática. Uma caixa de papelão. Viagem no tempo!

Digamos que é impossível entender esse filme. Mesmo assim, como na maioria de filmes de viagem no tempo, o mais legal é ficar tentando saber o que aconteceu. Quem é quem? Quantas duplicatas existem de cada um? O que aconteceu antes?

É mais ou menos isso que acontece em Primer.

Quatro amigos, que trabalham em grandes corporações, usam seu tempo livre para desenvolver novos produtos e placas-mãe em uma garagem. Em um dos experimentos, um deles acidentalmente cria uma espécie de máquina do tempo. Tirando os outros dois da jogada e contando apenas com o mais próximo, eles resolvem construir uma máquina grande o suficiente para transferir uma pessoa. Aí começa a cagada.

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É claro que no início tudo é legal. Eles passam o dia vendo que ações vão ter alta na bolsa, voltam no tempo e compram tudo. Massa. O problema é quando eles começam a ter aventuras mais ousadas, e brincar com os paradoxos que há muito tempo o Dr. Emmet já tinha avisado que não eram seguros.

Então milhões de eventos tomam parte, e torna-se praticamente impossível entender quem é quem, quem está no presente, o que é passado, quantos existem de cada um deles por aí. Eles criam duplos, que criam duplos, que criam duplos, e precisam matar os duplos, e os duplos dos duplos, e surgem paradoxos de todos os lados… Resumindo: vira uma zona de gente em tudo quanto é dimensão temporal! É claro que isso não acaba bem.

Muito bom, inteligente e criativo. Dá pano pra manga, pra ficar pensando no filme bastante tempo depois que ele acabou.

Feito em 2004 por Shane Carruth. Recomendadíssimo.

O que é legal: Ao contrário de algumas ficções científicas por aí, Primer parece bastante real. Talvez a linguagem técnica colabore para dar esse sentido de realidade, e o baixo orçamento também. Tudo parece possível e, principalmente, complicado. Filme para ver e rever.

O que não é legal: Faz você se sentir burro.

Também pode ser considerado um dos trailers menos esclarecedores de todos os tempos:

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Perfeito para a meninada que se liga em um terrorzinho light, de ver agarradinho enquanto come pipoca, envia um trilhão de SMS e toma um copão de Guaraná. Ou seja: filminho mequetrefe de Tela Quente!

Eu não aguento mais este tipo de filme de “terror”, cheio de fórmulas prontas e baratas. É um festival de susto com barulho alto, viradas de roteiro improváveis e atitudes bizarras. Tem horas em que fica simplesmente impossível acreditar que alguns personagens possam ser tão burros!

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Em Orphan, um casal decide adotar uma criança para compensar a morte prematura de seu bebê. Eles vão a um orfanato e encontram Esther, uma menina espertinha e bem articulada. A afinidade é imediata e ela vai para a casa deles, onde vivem também outros dois filhos do casal. Aos poucos, a menina começa a demonstrar atitudes estranhas, rebeldes e, acima de tudo, malignas. Todos os personagens tapados insistem em não ver o que está bem à sua frente, enquanto a mãe é a única que percebe algo de errado com a garota. Então começa um monte de coisas que você já conhece, com câmeras que já viu e explicações conhecidas para atos estapafúrdios de todos os envolvidos.

Orphan

Do diretor Jaume Collet-Serra, diretamente para a enorme galeria de filmecos lançados em 2009.

O que é legal: A atuação de Isabelle Fuhrman no papel de Esther é sensacional. A excelente garota, que soube fazer a santinha e a diabólica como ninguém, é uma das poucas coisas que se salva por aqui.

O que não é legal: Tanta coisa… Mas os personagens estúpidos conseguem ser piores que qualquer outra coisa.

Fiquem com o trailer desta pequena obra-prima da porcaria:

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Vou ser bem sincero: este filme não é lá grandes coisas. A maioria das interpretações é ruim, apesar do elenco estrelado, e alguns momentos salvam a história. Mas… A ideia de roteiro e a maneira como somos levados até ela é tão interessante que vale a pena falar um pouco sobre The Boys From Brazil.

Liebermann é um velho judeu conhecido como “O Caçador de Nazistas”. Sua caça não é armada e sanguinária, e sim baseada em documentos e investigações que possam levar os cães do Holocausto para detrás das grades. Através de ligações telefônicas e correspondências de um jovem judeu, Liebermann toma conhecimento de uma conspiração diabólica orquestrada no Paraguai por Josef Mengele, médico dos campos de concentração.

Há 14 anos, o sádico cientista produziu 94 bebês, clones de Hitler, e espalhou as crianças pelo mundo. As famílias foram cuidadosamente escolhidas para reproduzir as condições onde o líder do III Reich foi criado. Para o sinistro plano ser completo, então, é necessário que os pais destas crianças morram aos 65 anos, como aconteceu com o pai de Hitler. E isto envolve assassinar 94 homens em um período de dois anos e meio.

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É um ponto de partida bem interessante, se pensarmos que em 1978 o assunto clonagem não era algo tão comum. Além disso, na época ainda existia o medo de um IV Reich, uma certa paranoia, que o diretor Franklin Schaffner soube captar bem. Entretanto, no geral, nada disso salva o filme.

Vale pela curiosidade e por algumas cenas boas.

O que é legal: Josef Mengele é o melhor personagem do filme, interpretado por Gregory Peck. É bacana ver o clássico herói americano no papel de um doutor nazista fanático. É dele a melhor fala da história. Liebermann o encontra na casa de uma das vítimas, segurando uma arma, e pergunta a Mengele se ele o matou. A resposta é “Não, ele está na cozinha preparando alguns coquetéis para a gente”. Gênio.

O que não é legal: O final moralista, típico, como aquelas lições que sempre vinham no final de cada episódio do He-Man.

O trailer é bom:

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O western é o maior exemplo de injustiça e preconceito da história dos filmes. Tem muita gente que nunca assistiu a um faroeste, e nem irá fazê-lo, simplesmente porque não é atraente. É caricato! Muito disso é culpa destes nomes em português, tipo “filme de bang bang” ou “mocinho e bandido”. O do bem no cavalo branco, contra o vilão no cavalo preto. Sem falar no clichê de índios caóticos ou a terrível ideia de colocar o herói tocando violão no meio do filme.

Foi arrebentando tudo isso que, em 1964, Sergio Leone lançou um dos filmes que eu mais gosto. Em A Fistful of Dollars, a plateia é apresentada pela primeira vez ao delinquente cowboy sem nome interpretado por Clint Eastwood. Após os créditos iniciais, uma matança em vermelho e preto levada pela trilha espetacular de Ennio Morricone e barulhos de tiro, o Clintão já mostra que este não é um filme limpinho, e ele não é o mocinho ao qual todos estavam acostumados. Ele é sujo, e só não dá para dizer que é mau porque os outros são ainda piores. Um forasteiro misterioso e de poucas palavras, que chega a um vilarejo fantasma onde as pessoas vivem amedrontadas, dentro de suas casas, e o único sinal de vida nas ruas vem do sino que toca a cada vez que alguém morre. E ele toca muito! Esta pequena cidade é dominada pelo medo, a corrupção e a ganância, promovidas por duas gangues: os Baxters e os Rojos. Como eles vivem em guerra, o pistoleiro gringo vê que pode usar sua sagacidade e a velocidade no gatilho para enriquecer, oferecendo seus serviços às duas famílias.

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Com esta história simples, porém cheia de matança violenta e brutal para a época, Sergio Leone mostra a força do seu estilo. É um festival de direção, com câmeras bem abertas, closes nos olhos semicerrados, velocidade na edição e trilha sonora falando no lugar dos personagens. A apresentação e entrada em cena de Ramón, o líder dos Rojos, é uma aula de construção de personagem. Fora tudo isso, os diálogos tem um certo nível de humor, que não consegue nunca ser completo. A atmosfera seca e crua criada é tão legal que, na hora da piada, a gente fica até em dúvida se aquilo realmente deveria ser engraçado.

Emocionante.

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O que é legal: Um filme italiano que mudou o modo como os americanos faziam seu gênero mais clássico e genuíno, e ainda por cima lançou uma das maiores estrelas de Hollywood. No mínimo provocativo.

O que não é legal: O roteiro foi praticamente copiado de Yojimbo, um filme de Akira Kurosawa. Isso acaba diminuindo um pouco o valor criativo da história. O engraçado é que, segundo o próprio Kurosawa, ele faturou mais processando o Sergio Leone do que com o seu próprio filme.

Taí o trailer, com o Clint matando uma pá de gente:

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