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Archive for setembro \27\UTC 2009

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District 9 marca o nascimento de um diretor que vai ser cult por anos.

O motivo é simples: Neill Blomkamp conseguiu fazer com os alienígenas o que George Romero fez com os zumbis. Transformou o gênero. E isso não é qualquer um que consegue.

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O que ele fez não foi uma história sobre aliens que querem destruir a Terra (Estados Unidos). Nem sobre ETs fofinhos que viram amigos das crianças, ou sobre experiências com sondas e chips. O que ele fez foi um filme de ETs imigrantes, vivendo à margem da sociedade, que negociam armas com gangsters nigerianos enquanto lutam para sobreviver em um gueto miserável da África do Sul.

Explicando melhor: um disco voador para sobre Johanesburgo, por um motivo inexplicado. Então os extraterrestres são recolhidos e alojados em uma área especial, chamada Distrito 9, que logo se torna uma favela. É lá que eles vivem, em meio ao lixo e à criminalidade. É aí que entra a MNU, uma corporação criada para resolver esta situação inédita. Para afastar os ETs da cidade, eles constroem um campo de refugiados, para onde os seres do espaço devem ser despejados. O problema é que algo dá errado nessa operação, e isso desencadeia uma série de eventos com consequências catastróficas para ambas as partes.

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Se ficou parecendo que o filme é somente crítica social, espere ele chegar à metade. É por aí que District 9 transforma-se em um espetáculo de ação, com explosões, armas laser e artefatos bélicos barulhentos. Tudo muito caprichado, real, rápido!

Entretanto, apesar dos efeitos especiais sensacionais, District 9 tem alma de filme B. Tem um certo humor besta, porém sutil, e muitos corpos explodindo. Provavelmente esse foi um dos pontos chave para que o Peter Jackson abraçasse a produção do filme. Vale lembrar que o primeiro filme dele, Bad Taste, é uma pérola do trash sobre criaturas extraterrenas.

Com tanta coisa assim, só posso dizer que é imperdível.

O que é legal: Misture a trilogia dos mortos, de George Romero, com Bad Taste, A Mosca, Alien, A Coisa e mais um monte de filmes legais. Tem como sair coisa ruim?

O que não é legal: A amizade entre um dos humanos e um dos extraterrestres é tão comovente que achei que ia começar a tocar o tema do E.T. no final do filme, enquanto a nave especial passa em frente à lua com os dois em uma bicicletinha.

Trailer:

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Não tenho palavras para falar desse filme que acabei de ver. Na verdade, sei que qualquer coisa que eu escrever aqui não vai conseguir mostrar o que ele é na realidade. É a história mais bonita, tocante, emocionante e verdadeira que eu vi esse ano. Não é um filmeco sobre um cara que nasce velho e vai ficando novo, cheio de truques baratos e repetidos para emocionar a plateia e arrancar lágrimas das pessoas. Anvil! não tem clichês nem trilhas estrategicamente posicionadas para fazer chorar. Não tem par romântico. E sabe o que é mais engraçado? Nem teria como… Anvil! é a história de uma banda de heavy metal. É o The Wrestler do mundo do rock.

O Anvil é uma banda canadense dos anos 80, que influenciou e abriu caminho para bandas como Slayer, Metallica, Megadeth e Anthrax. O diretor Sacha Gervasi começa mostrando esta grandeza em um grande show no Japão, em uma turnê gigantesca com Scorpions, Bon Jovi e Whitesnake. Depois disso, ele nos joga direto para 2005. Então conhecemos Lips e Robb, o vocalista e o baterista. Os dois com 50 anos, amigos e companheiros de banda desde os 14. Mas o que aconteceu com eles? Os dois estão em empregos de merda, entregando merenda em escolas e tirando a neve da frente da casa das pessoas. Os outros caras da banda estão fudidos também, morando em garagens, hipotecando a casa, vendendo tudo para sobreviverem. Ninguém tem a menor ideia de quem eles são. Por algum motivo, o Anvil não vingou. Todo mundo foi para a frente e eles ficaram lá, estacionados, esquecidos. Mas, enquanto todo mundo na idade deles optaria por uma carreira, estabilidade, uma vidinha ordinária, Lips e Robb continuam tocando, mesmo que seja nas festas dos amigos.

Eles não desistem. Continuam atrás de seu sonho.

E quando eu digo isso, é pra valer. Lips e Robb continuam buscando o sucesso que consideram justo, com um otimismo que deixa qualquer livro de auto-ajuda no chinelo. A questão é que, aqui, é tudo de verdade! Eles largam as famílias para fazer uma turnê toda desorganizada e fracassada pela Europa, batalham para gravar um CD, batem na porta de gravadoras para distribuir esse material… Eles têm 50 anos, porra! E o sorriso dos caras, o brilho nos olhos, é o mesmo de uns guris de 15!

Não importa se você gosta de heavy metal ou não. Na verdade, isso é bem irrelevante. Anvil! é um filme sobre sonhos, e principalmente sobre não desisitir deles. Sem ingredientes artificiais, honesto, uma grande história de verdade. Um filmaço que ninguém deveria deixar de assistir.

O que é legal: É um documentário mais emocionante que qualquer filme feito para emocionar que eu tenha visto nos últimos tempos.

O que não é legal: Não consigo falar mal de nada nesse filme. Mas consigo falar de Sacha Gervasi, que escreveu aquela porcaria de filme com o Tom Hanks chamado O Terminal.

O trailer também não consegue passar o que esse filme é de verdade:

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Já vou avisando: esse filme é cheio de personagens clichê.

O principal deles é Curry, um mercenário caricato capaz de matar a própria mãe por um punhado de dólares. No caso, 50 mil. A missão é um pouco mais ingrata também: atravessar um Congo fervilhante em rebeliões, de trem, em três dias, para resgatar algumas pessoas oprimidas pelos terroristas Simbas e, principalmente, uma sacola com 50 milhões de dólares em diamantes. Durão, sem sentimentos nem dúvidas, ele aceita prontamente o serviço. Quem o acompanha nessa jornada é Ruffo, um negro africano criado nos Estados Unidos, que só quer ajudar seu povo e seu país. Prova disso é que ele nega sua parte em dinheiro, agindo unicamente baseado em princípios morais. Completam a turma um médico alcoólatra inglês, um general alemão com uma suástica pendurada no peito e uma loirinha sem a menor importância na história.

Apesar das caricaturas, Dark of the Sun consegue ser bem contraventor para sua época. Filmado em 1968 pelo diretor Jack Cardiff, o filme tem boas doses de explosões, diálogos inteligentes e uma briga sensacional envolvendo uma serra elétrica e uma tentativa de decepamento no trilho do trem!

No fim das contas, ele tem um valor histórico bem bacana e alguns momentos bem brutais. Dá pra dizer que é um filme à frente do seu tempo. Mais um motivo pelo qual vale a pena assistir.

O que é legal: Como a maioria dos filmes da época, Dark of the Sun tem aquelas cores que eu adoro, parecendo pintado com aquarela. E a trilha sonora talvez seja a melhor coisa do filme.

O que não é legal: O final é lamentável. Lição de moral em um filme sobre mercenários? É de matar.

O trailer mostra as cenas mais legais, olha aí:

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Qual é o melhor momento para uma emboscada a uma mulher perigosa? Provavelmente durante o banho, enquanto a doce assassina está desarmada e vulnerável. Isso se ela não for Inoshika Ocho, a personagem principal de Sex and Fury. Percebendo o perigo, a letal e sedutora japonesa abandona o ofurô, completamente pelada, toma a espada de um de seus inimigos e parte para cima de uma dúzia de yakuzas, perfurando seus oponentes e espalhando sangue e membros decepados sobre a neve.

E essa é só a primeira cena de luta desse filmaço japonês, um verdadeiro pandemônio de sangue e erotismo promovido pelo diretor Norifumi Suzuki em 1973.

Nessa época, logo após a chegada da televisão no Japão, o cinema do país entrou em crise e viu como solução produzir muitos desses filmes delinquentes para atrair a plateia, com histórias de prostituição forçada e vingança.

Por isso, a história aqui não é nenhuma novidade. Atendendo ao último desejo de um jogador trapaceiro moribundo, Ocho vai a Tóquio em busca da irmã dele, para resgatá-la das garras de um político cafetão. Lá ela encontra os três vilões responsáveis pelo covarde assassinato de seu pai, depois de procurá-los por tanto tempo, e dá continuidade à sua saga de vingança. Ao mesmo tempo, ela se vê envolvida com uma espiã ocidental, interpretada pela sueca Christina Lindberg.

Sim, o roteiro é bem confuso. Em compensação, as cores e enquadramentos são geniais. Mas o que importa mesmo é a parte da Christina Lindberg! Mais uma vez, como no Thriller, ela mostra toda a malemolência da mulher sueca, com sua desenvoltura e safadeza sem limites. E se agarra pelada com uma japonesa!

Espadas, hordas de inimigos, muito sangue, gueixas peladas e mutilações. O que mais precisa para chamar esse filme de um baita entretenimento bom?

O que é legal: Peitos, bundas de gueixas, trapaça, bater carteira, tatuagens, artes marciais, vingança, membros decepados, spray de sangue, tortura na discoteca do terror, bolsinhas indecentes, chicote, mulheres acorrentadas, lesbianismo. Freiras com canivetes!

O que não é legal: O filme só tem duas cenas de luta com espadas. Apesar de serem espetaculares, mais cenas de ação brutal poderiam ter entrado no roteiro, no lugar de um melodrama patético que se desenrola ao longo da trama.

Como não tem trailer disponível no Youtube, vai essa cena aqui, com os créditos do início do filme:

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É impressionante como esses filmes de antigamente são infinitamente superiores em roteiro aos de hoje em dia. É aquela velha história: quanto menos dinheiro, maior a criatividade.

É o que acontece neste Deliverance, de 1972. Diante da construção de uma represa, quatro amigos decidem descer pela última vez o rio Cahulawassee, antes de sua inundação. Tudo vai bem, até eles trombarem com dois caipiras mal intencionados. Portando armas, os rednecks rendem dois dos amigos, sodomizando um deles sem piedade. É quando a morte cruza o caminho desses rapazes, e passa a acompanhá-los por corredeiras cada vez mais perigosas.

A sensação selvagem de ser um assassino, misturada à tensão de que alguém descubra os corpos escondidos no rio, em uma natureza que desperta o animal de verdade dentro desses caras… Tudo isso faz de Deliverance um filmaço!

Puta que pariu, uma das cenas do início é espetacular. É o famoso duelo de banjos, entre um dos personagens (que toca violão, ok) e um garoto (que toca o banjo). Da mesma maneira que eles criam a tensão da cena, também acabam com ela. E logo no começo do filme. Aí o diretor John Boorman já mostra que vem coisa boa pela frente.

E vem mesmo. Cheio de suspense, é uma história que poderia acontecer com qualquer pessoa. A diferença está no que cada um faria.

Grande filme.

O que é legal: Os primeiros 20 minutos são uma aula de diálogos! Uma aula fudida! A qualidade segue pelo filme todo, mais calma, até explodir novamente na cena em que um dos caras é violado pelo caipira. É esse sádico que tem uma das melhores falas do filme, daquelas pra ficarem entre aspas para sempre.

O que não é legal: As cenas nas corredeiras não dão a dimensão de perigo que deveriam dar. Parece tudo fácil, fica difícil entender como aquilo pode ser perigoso. Talvez seja reflexo do baixo orçamento do filme, que impediu a utilização de dublês. É… os caras fizeram tudo mesmo. E o Burt Reynolds quebrou uma costela.

Taí o trailer. Repare que o Burt Reynolds tá a cara do Humberto Martins:

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Esqueça a tela verde antes do trailer. Brüno é politicamente incorreto do começo ao fim.

Em formato de documentário, o filme conta a saga do austríaco Brüno, bicha flamboyant daquelas bem caricatas e apresentador de um programa de moda em seu país. Após uma sequência de erros em um desfile ele cai em desgraça, perde tudo o que tem e parte para os Estados Unidos, em busca de glória e fama mundial.

É aí que o comediante Sacha Baron Cohen consegue, como em Borat, usar seu personagem para expor a sociedade ao ridículo. Através da história de Brüno, ele arranca das pessoas tudo o que elas poderiam fazer também em troca de fama e status, como na cena em que entrevista os pais de algumas crianças candidatas a modelo fotográfico. Pais que tolerariam sem problemas lipoaspiração em uma menina de 13 quilos ou preenchimento labial em um garoto de 6 anos. Por meio do absurdo, Brüno tira sarro de celebridades, modelos, provoca a intolerância e homofobia do povo americano e cutuca a indústria de Hollywood por todos os lados.

Por outro lado, na maioria das cenas o responsável pelo ridículo é o próprio Brüno, já que as pessoas têm reações bem normais ao circo que ele está armando. O que não é nenhum problema. Piada nunca precisou ter crítica social envolvida, e nesse quesito o filme cumpre bem o seu papel.

Abusando do mau gosto extremo, humor negro total e ausência de limites ao bom senso, Brüno é garantia de boas risadas.

O que é legal: Hoje em dia, tá cada vez mais difícil ver humor anárquico e politicamente incorreto por aí. Brüno é engraçado justamente por isso. Sem vergonha nenhuma na cara, faz piada com tudo e todos.

O que não é legal: De vez em quando mostra uns pintos que, francamente, não precisava.

Como todos os trailers do Youtube estão desabilitados para linkar aqui, vai um dos comerciais do filme mesmo:

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Bruxas com um olho de cada cor, câmeras que avançam sobre as pessoas, vômito do mal, violação de tumba, feitiçaria… Sam Raimi clássico!

Tudo começa com essa linda garotinha, humilde e ambiciosa, gerente do banco e aspirante à vice-presidência. Querendo mostrar sua habilidade para lidar com situações difíceis e impressionar o chefe, ela nega um empréstimo para uma cigana. Cagada. A mulher joga uma maldição na loirinha, e então um espírito das trevas começa a aterrorizar cada momento da sua vida durante três dias. Após esse período ele virá para levar a alma da garota para sempre, para queimar no fogo do inferno!

Para quem já era fã dos Evil Dead, tá aqui mais um filme que não fica devendo em nada aos sucessos passados. O que dá para perceber é que agora o Sam Raimi tem muito mais grana para fazer suas fanfarronices de terror, além de estar um diretor mais tarimbado. Depois de três Spider Man, até eu estaria!

Nota 10 pra essa porra!

O que é legal: Algumas cenas são de se partir de rir, como é comum nos filmes do Sam Raimi. Os efeitos especiais não são lá todo esse capricho, o que deixa tudo ainda mais trash e divertido. Todas essas coisas fazem de Drag Me to Hell um filme de terror daqueles que todo mundo gosta de ver, quase inocente, onde se assustar é só um divertimento despretensioso.

O que não é legal: O final não podia ser mais previsível. Mesmo assim, ainda é um baita final.

Veja o trailer e vá direto pro cinema:

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