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Archive for fevereiro \27\UTC 2010

Por coincidência, depois de assitir ao novo Sherlock Holmes, li um artigo na Folha de São Paulo falando sobre o filme, do poeta Ferreira Gullar. Vou colar um trechinho, o restante pode ser lido aqui:

“O Sherlock que eu conhecia, de rosto bem barbeado, cachimbo e gestos medidos, era agora, nesta versão, um sujeito mal vestido, fedido, de barbas por fazer, e campeão de luta livre, capaz de receber e também desferir golpes brutais. (…) E, desse modo, contrariando os antigos filmes de Sherlock Holmes, em vez de chegar ao fim da película com um sorriso nos lábios, respirei aliviado por me ver livre do atropelo a que fora submetido durante quase duas horas.”

Parece que ele não gostou. E é por isso mesmo que fica a lição: poetas devem ler livros e assistir filmes do Ingmar Bergman. Siga os ensinamentos do Bukowski e acredite em mim.

Assim como os novos 007, este é um Sherlock Holmes da nossa época. Apesar de ambientado em tempos vitorianos, fala a língua dos nossos dias. Quem hoje acreditaria em um detetive que não se envolve em lutas corporais, ou que está sempre bem vestido e alinhado? Se o Ferreira Gullar anotou o nome do diretor para nunca mais ver um filme dele, eu faço questão de ressaltar. Palmas para o Guy Ritchie, que fez uma história divertidíssima.

O novo Sherlock Holmes é rápido, engraçado e, com o carisma de Robert Downey Jr./Tony Stark, torna-se uma diversão enorme para quem só quer perder um tempinho vendo um filme bacana. Gostei muito.

Vai passar umas mil vezes na Globo.

O que é legal: Guy Ritchie fez Sherlock Holmes baixar o nariz. Transformou aquele detetive aristocrático em um cara mais humano, ciumento, às vezes trapaceiro. Mesmo assim, mantendo toda a aura de inteligência dedutiva que tornou o personagem famoso.

O que não é legal: O visual do vilão, Lorde Blackwood. Parece um Drácula que frequenta Jurerê Internacional.

Taí o trailer:

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Que filme engraçado!

Ricky Gervais, com sua tradicional cara de bobo, vive em um mundo onde não existe mentira. Para que este conceito não exista, também não podem haver meias-verdades ou omissões. Então, todo mundo fala o que pensa, sem o menor pudor. As relações amorosas e trabalhistas são bizarras, com coisas do tipo “estamos jantando mas eu não vou dar pra você” e “ainda bem que você foi despedido”.

Neste mundo, o personagem é um escritor derrotado de programas de história, uma coisa meio Tele Curso 2000 sobre o século XVI. E, convenhamos, ele é bem ruinzinho. Então é mandado embora e, precisando de dinheiro, tem a ideia mais genial de todos os tempos: ele cria a mentira! É um conceito que ninguém entende, e logo ele vê o poder que isso pode ter.

Se apenas isso já seria um fértil terreno para piadas de todos os tipos, imagine tratando-se de Ricky Gervais. Acaba sobrando para emprego, propaganda e, claro, religião. Aliás, é sobre este tema que o diretor cria as melhores cenas do filme. E que cenas. Controversas, críticas e ácidas ao extremo.

Vale a pena, excelente comédia.

O que é legal: Todo mundo está nesse filme. Edward Norton, Tina Fey, Philip Seymour Hoffman e até o gordo do Superbad (que agora tá em todas). O Edward Norton aparece rapidinho, mas é engraçado pra caralho!

O que não é legal: O filme tem tanta piada que uma hora fica até cansativo. Cada cena é uma metralhadora, e uma hora isso cansa. Mas talvez o romance chatinho da história não fosse a melhor maneira de resolver esse problema. Para parar de rir muito, não precisa todo um melodrama. Enfim.

Tem mentira no trailer ou não? Bem legal:

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Surfe, gangues, brigas, porralouquice. Bra Boys!

O documentário de Sunny Abberton, narrado por Russel Crowe, mostra como surgiram os Bra Boys, uma gangue de surfistas de Maroubra, no subúrbio de Sidney. Como em todos os documentários que envolvem a região metropolitana, vemos na criação de algo assim um forte sentimento de união. Da mesma maneira que em Dogtown and Z-Boys, parece que quem inventa este tipo de coisa tem a família toda desorganizada e destruída por histórias envolvendo drogas e violência entre os pais.

Corrigindo, talvez gangue não seja a palavra mais adequada. Os Bra Boys são um grupo muito grande de gente que estabeleceu alguns parâmetros de união, entre eles um forte localismo e a promessa de defenderem um ao outro. O que é natural, dado todo o contexto. O problema é que este tipo de atitude acaba gerando problemas, com a polícia e com outros grupos.

Entre estes problemas está uma trágica história de assassinato envolvendo um dos irmãos criadores dos Bra Boys. Em legítima defesa, ele mata um dos caras para não morrer. Por isso é julgado, e passa por um drama que é bem explorado no filme.

No fim das contas, Bra Boys não passa de um documentário. Para quem gosta de surfe, tem cenas bem legais. Para quem não gosta, fica o conselho: existem documentários melhores por aí.

O que é legal: Os Bra Boys possuem um pico de surfe kamikaze, em frente a um paredão de pedras. É ali mesmo que eles gostam de surfar, e as cenas de onda são demais. As dos ferimentos, nem tanto.

O que não é legal: A parte que trata do drama carcerário é meio extensa. Muito foco em um personagem, para um filme que pretende ser sobre uma fraternidade.

Contrariando todas as minhas críticas, o trailer é cheio de citações e prêmios:

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Vamos ser sinceros: 500 Days of Summer é uma comédia romântica. Então, o que o torna tão diferente? Talvez o fato de ser uma comédia romântica que parece ter saído da cabeça do Nick Hornby, retratando as desilusões amorosas com o mesmo carinho que se dá aos finais felizes. Afinal, são todas experiências de vida. Ou não?

Tom, o funcionário loser da firma, conhece Summer, a nova assistente do chefe. Os dois começam a criar afinidade e, quando percebem, estão juntos. Namorando, é o que ele diz. Saindo, é a opinião dela. Tudo ao contrário do que diria uma clássica comédia desse tipo. E ao contrário também são os papéis de cada um nesta história. Summer é livre, descomprometida, experiente. Tom é um fracasso, tímido, inseguro. Precisa de certezas e verdades de qualquer maneira em sua vida. Assim, e aos poucos, o que era paixão torna-se um problema. E, como tal, deve ser resolvido. O que acompanhamos, então, é a história do início ao fim deste relacionamento, passando por situações que provavelmente todo mundo já enfrentou. Nesta hora, surge uma pergunta que todo mundo também já deve ter feito: onde foi que as coisas desandaram? O que aconteceu de errado? Tom, como qualquer um de nós, não pode responder. Apenas contar com os dias melhores que ainda virão.

O que é legal: 500 Days of Summer não é uma história de amor propriamente dita. É mais uma história sobre a paixão, e como lidar com a perda dela. No fundo, acho que é isso que o torna diferente e interessante. Além, claro, dos recursos usados pelo diretor Marc Webb para contar a história. Show de linguagem.

O que não é legal: A menina-prodígio irmã do Tom. Uma fedelha de 10 anos que sabe tudo sobre a vida, o amor e os relacionamentos. Que dá conselhos como um Mestre Yoda mirim, apesar de nem ter menstruado ainda. Odeio estes personagens criança-sabe-tudo-Juno-prodígio!

Tá complicado colocar o trailer com legendas aqui, o Youtube não quer deixar embedar. Em compensação, a versão gringa é mais legal. Vai ela:

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Quando era criança, confesso que odiava os filmes de guerra. Por nenhum motivo especial, eu apenas não entendia. Sabe como é, aquele monte de caras de capacete e uniforme ficam meio parecidos. Então acho que eu não conseguia identificar direito nenhum personagem. Muito tempo depois eu fui entender: nestes filmes, o principal personagem é a guerra em si. E, principalmente, o que ela faz com os homens.

Em Hurt Locker não é diferente. Porém, ao invés de soldados caminhando nas matas e pântanos do Camboja, acompanhamos um esquadrão americano a serviço no Iraque. A guerra é outra. Mas a maneira como ela mexe com as pessoas não muda em nada.

O grupo do Sargento William James é especializado em desarmar bombas. O problema é que, no Iraque em guerra, uma simples caçamba de lixo pode explodir a qualquer momento. Todos os olhares são suspeitos. Não há heróis, somente invasores e invadidos. E tudo isso deixa as coisas adrenalizantes. O clima de tensão é constante. Em um dos poucos momentos em que ele dá trégua, uma espécie de loucura Apocalypse Now toma conta do sargento, mostrando bem o sentimento que deve existir em quem participa de uma guerra assim: ela é insana, surreal, muitas vezes louca, e de alguma forma viciante, como já diz a primeira frase do filme.

Forte candidato ao Oscar, com todos os méritos. É um filmaço!

O que é legal: Hurt Locker parte da premissa de que a guerra é uma droga, e por isso mesmo vicia. A direção de Kathryn Bigelow nos faz entender muito bem o porquê, não aliviando a tensão em nenhum momento. É filme de grudar no sofá, meu amigo. E sem precisar de óculos 3D para isso.

O que não é legal: Pensei, pensei… E não consigo dizer. É um puta filme mesmo!

Vi o trailer e quis assistir de volta:

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Sabe como eu sei que vou gostar de um filme, logo no primeiro minuto? Quando ele começa com um texto que explica toda a premissa da história, partindo direto para a ação. É garantia de coisa boa, sem muitas explicações nem artismos pela frente. Só explosão e frases de efeito!

É o que acontece em Battle Royale, este genial filme japonês. Como o texto inicial explica: em 2000, o desemprego e falta de perspectivas assolam o Japão. É um cenário caótico apocalíptico, onde os jovens não respeitam mais ninguém e só querem saber de vandalizar geral. Uma medida precisa ser tomada. Ela vem na forma de um decreto governamental, a Lei Educacional do Milênio, também conhecida como Lei Battle Royale.

Aleatoriamente, uma turma de escolares é escolhida para um jogo mortal. Levados para uma ilha isolada, os adolescentes gazeadores de aula terão três dias para eliminarem uns aos outros. A sinistra provação termina quando houver apenas um sobrevivente. Caso isso não aconteça, todos explodem através de um sinal emitido para seus colares de prisioneiros.

Logo que são informados das regras da matança, os jovens dividem-se em dois grupos. Um deles, claro, acredita na força do amor e da amizade, fazendo de tudo para tentar se salvar sem sujar as mãos de sangue. Já o outro grupo não tem o mesmo Buda em seus corações. Ele é formado por gente psicopata com tendências assassinas mórbidas, disposta a fazer de tudo para garantir seu bilhete de volta para casa.

Sem construções complexas de personagens, fotografias espetaculares ou diálogos dignos de menção, Battle Royale é algo como uma mistura de Big Brother e Lost feita por um Robert Rodriguez japonês.

Não falei que era genial?

O que é legal: Como na maioria dos filmes japoneses envolvendo violência, prepare-se para muitos esguichos de sangue, cabeças cortadas, mutilações, ideias doentias e desvios de conduta da pior espécie.

O que não é legal: Flashbacks inúteis. Atitudes sem sentido. Nenhuma nudez. Final bizarro!

Pega o trailer:

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Claireece Precious Jones tem um nome bem legal. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de sua vida.

Por ser negra, gorda, pobre e analfabeta essa garota já sofreria dificuldades imensas. Mas o buraco é ainda mais embaixo. Estuprada, Precious está grávida do segundo filho de seu próprio pai. A situação provoca um ódio mortal em sua mãe, que hostiliza a menina de todas as maneiras. Some a isso um ambiente escolar delinquente e um bairro da pesada. Resumindo, a vida da guria é um inferno sem precedentes.

No meio de todo este furacão social está a senhorita Rain, professora de uma escola especial. É a única pessoa a quem Precious pode se agarrar no momento pelo qual passa. A luz no fim do túnel. É através da convivência com ela que a garota consegue evoluir, começa a aprender a ler e escrever e, mais importante, encontra um objetivo na vida e descobre como é ser amada por alguém.

Precious é uma história forte e bem levada pelo diretor Lee Daniels. Mais importante: o que vemos ali é mais comum do que se imagina. E aí a coisa se torna assustadora. Quanto ao filme, é o tipo que só aparece porque foi indicado ao Oscar. Como Crash. E da mesma maneira que este, deve ser esquecido rapidamente.

O que é legal: Muitos palavrões, além de Lenny Kravitz e Mariah Carey no elenco. Acho que os dois erraram de carreira. Como músicos, são dois atores bem razoáveis.

O que não é legal: Cada vez que a Precious passa por dificuldades, imagina cenas onde ela é uma grande estrela, com uma vida melhor. Na boa, essas cenas não acrescentam nada ao filme, e ficaram sobrando. Por outro lado, no mundo perfeito imaginário de Precious, ela continua sendo rechonchuda. Fat Power!

Taí o trailer, bem dramático, do jeito que o povo do Oscar adora:

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