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Archive for the ‘Mundo Cão’ Category

Você aí, que ficou todo deslumbrado e assustadinho com o Cisne Negro, devia ver esse filme aqui pra entender o que é alguém buscar seu lado sinistro. Nele, o Dustin Hoffman é um cientista matemático muito pacato, adepto dos blazers de lã, óculos fundo de garrafa e outros acessórios caricatos. Isso em 1971, é claro, quando o filme foi feito. Hoje em dia é moda andar vestido de Bill Gates. Enfim, o caso é que ele é casado com uma mulher que não usa sutiã e esbanja sensualidade. Então este casal peculiar muda-se para uma cidadezinha da Escócia infestada de rednecks escoceses, uns caipiras bêbados de whisky muito truculentos e barra-pesada. O problema é que eles estão trabalhando na reforma da casa de nosso amigo estudioso dos números. A sujeira só está para começar.

Como eu disse, este filme é de 1971, dos bons tempos dos filmes com personagens que reagem. Não tem essa de correr pra baixo da cama, se esconder no sótão, fugir pro meio da floresta. Nessa época os personagens davam seu jeito de resolver as coisas. Então o que acontece é que alguns problemas começam a aparecer, e o Dustin Hoffman precisa se virar para dar um jeito nisso. E é o jeito como esse professor bundão vai se transformando em um vingador irracional que é sensacional. É isso que dá um sarrafo em qualquer filmeco de balé pretensioso e cheio de arte vigarista. Porra, o Dusatin Hoffman prende uma armadilha de urso na cabeça de um cara! Aí entra em cena a mão do diretor Sam Peckinpah, que poderia tranquilamente mijar em cima dos blu-ray de todos os indicados ao Oscar de 2011. Sam Peckinpah, o mestre da câmera lenta, é também o mestre da edição, da tensão e do climax violento. Explosivo.

Quando estava procurando o poster, encontrei um cara dizendo que o Straw Dogs é lento e mal executado. Uma bobagem, é claro, quando a grande graça é ir até o limite junto com o protagonista. Por isso, amigo, não fale besteira. Veja esse filme e aprenda de uma vez por todas: são filmes como esse que fazem o cinema ser o que é. E não é nenhum Colin Fith gago nem Natalie Portman dançarina virgem que vão conseguir provar o contrário.

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Fish Tank

Ainda não entendi o motivo deste filme ter ganho prêmios em Cannes, no BAFTA e ter recebido tantas críticas positivas, recheando o poster de estrelinhas.

Para mim, não passa de um filme pretensioso.

O pano de fundo de Fish Tank é interessante, abraçando uma temática frequente no cinema britânico – a vida complicada dos jovens nos subúrbios londrinos, e suas descobertas nem sempre alegres com relação a vida, morte, sexo e drogas.


O problema é que, apesar da temática, Fish Tank não caminha em direção alguma. O filme conta a história de Mia, uma adolescente problemática e rebelde que vive com a mãe e uma irmã mais nova em um conjunto habitacional de baixa renda. O único momento em que Mia consegue abandonar sua vida miserável é quando dança, dedicando-se a seu sonho de ser dançarina profissional.

Com a chegada de Connor, o novo namorado da mãe, Mia vê um aliado, ou ao menos alguém em quem pode confiar e que apoia sua iniciativa. Entretanto, esta tênue relação de cumplicidade é que irá, ao longo do filme, complicar as coisas para a menina e determinar a continuidade de uma saga em busca de uma vida que nunca será mais do que já é. É um ciclo que não permite ter seus limites ampliados, como no aquário do título.

Não bastasse a história, um tanto quanto sem rumo, ainda há outra coisa que me irritou em Fish Tank. Andrea Arnold, a diretora, é repleta de afetações artísticas da pior espécie, abusando da câmera na mão e criando a todo instante cenas que, apesar de bem feitas, soam artificiais e bem distantes da autenticidade.

É o que acontece quando acompanhamos Mia dançando com fones de ouvido, ensaiando sua nova coreografia enquanto não ouvirmos som algum e acompanhamos seu balé silencioso. Ou, por exemplo, na cena em que ela percebe do que se tratava o teste para novas dançarinas e abandona a boite diante de uma parede de espelhos, onde vemos sua imagem toda fragmentada enquanto seu sonho foi despedaçado. Sem dúvida são cenas interessantes, mas que carecem de substância, de alma.

Nada muito diferente do que é Fish Tank como um todo.

O que é legal: Katie Jarvis, a menina que interpreta Mia, nunca havia atuado em um filme e foi descoberta em uma estação de metrô, enquanto brigava com o namorado. Fiquei impressionado com a qualidade do trabalho dela.

O que não é legal: Eu já vi um punhado de filmes sobre adolescentes de subúrbio, e muitos deles sobre adolescentes ingleses de subúrbio. Na maioria, há um algo mais por trás da estética realista, que leva o gênero para a frente e produz obras legais. Não é o caso de Fish Tank, que usa este pano de fundo apenas para desfilar os delírios estéticos da diretora. É um filme que, sem preocupar-se muito com a história contada, parece ter sido feito apenas para agradar à crítica. E isso eu não tolero.

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Além do nome cool e do mordomo Alfred completamente ensandecido, o que mais eu posso dizer de Harry Brown?

O diretor Daniel Barber provavelmente é fã declarado da série Desejo de Matar, estrelada pelo saudoso ídolo máximo da truculência – Charles Bronson. Digo isso porque, ao contrário do que o poster diz, tentando pegar carona na obra-de-arte chamada Gran Torino, Harry Brown está muito mais para o clássico do Supercine.

E que filme.

O velho Harry Brown, aposentado, não tem muitos amigos. Pra falar a verdade, seu único amigo é um outro velho que joga xadrez com ele no bar. Sua esposa está em coma, e o lugar onde ele mora é um gueto fedorento de Londres, cheio de jovens delinquentes e marginais membros de gangues viciados em heroína e crack.

O problema é que a mulher do Harry morre, e seu amigo de xadrez é assassinado brutalmente pelos maloqueiros.

É então que o Harry, ex-marine, abre o armário, tira a poeira das medalhas e decide fazer justiça com as próprias mãos. O velho pacato cidadão entra num furor assassino sem precedentes!

Aí é um Deus nos acuda!

Francamente, não é um roteiro criativo e muito menos inovador. Mas dentro de sua proposta, é um filme bem bacana.

Vale a pena!

O que é legal: O filme é tenso. Cada cena consegue colocar você dentro dela, esperando um tiro, um ato explosivo, uma reação a qualquer instante. Dá para sentir a atmosfera suja deste subúrbio de Londres em cada quadro. É de grudar no sofá.

O que não é legal: Como eu disse, criatividade não é o ponto forte da história.

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Claireece Precious Jones tem um nome bem legal. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de sua vida.

Por ser negra, gorda, pobre e analfabeta essa garota já sofreria dificuldades imensas. Mas o buraco é ainda mais embaixo. Estuprada, Precious está grávida do segundo filho de seu próprio pai. A situação provoca um ódio mortal em sua mãe, que hostiliza a menina de todas as maneiras. Some a isso um ambiente escolar delinquente e um bairro da pesada. Resumindo, a vida da guria é um inferno sem precedentes.

No meio de todo este furacão social está a senhorita Rain, professora de uma escola especial. É a única pessoa a quem Precious pode se agarrar no momento pelo qual passa. A luz no fim do túnel. É através da convivência com ela que a garota consegue evoluir, começa a aprender a ler e escrever e, mais importante, encontra um objetivo na vida e descobre como é ser amada por alguém.

Precious é uma história forte e bem levada pelo diretor Lee Daniels. Mais importante: o que vemos ali é mais comum do que se imagina. E aí a coisa se torna assustadora. Quanto ao filme, é o tipo que só aparece porque foi indicado ao Oscar. Como Crash. E da mesma maneira que este, deve ser esquecido rapidamente.

O que é legal: Muitos palavrões, além de Lenny Kravitz e Mariah Carey no elenco. Acho que os dois erraram de carreira. Como músicos, são dois atores bem razoáveis.

O que não é legal: Cada vez que a Precious passa por dificuldades, imagina cenas onde ela é uma grande estrela, com uma vida melhor. Na boa, essas cenas não acrescentam nada ao filme, e ficaram sobrando. Por outro lado, no mundo perfeito imaginário de Precious, ela continua sendo rechonchuda. Fat Power!

Taí o trailer, bem dramático, do jeito que o povo do Oscar adora:

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