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Archive for janeiro \28\UTC 2010

Ano passado fui ao cinema assistir Changeling (A Troca), o último filme de Clint Eastwood até então. Meu comentário, ao sair, foi algo mais ou menos como “é um filme de Supercine, mas dirigido pelo Clint”. E isso faz toda a diferença, meu camarada.

Desta forma, digamos que Invictus é um filme de Tela Quente. Conta a história de um time de rugby derrotado que, a pedido do presidente, supera seus limites, para tornar-se o orgulho de um país e unir todas as pessoas em torno de uma mesma bandeira.

Mas, e este é um grande “mas”, em Invictus acontece a mesma coisa que em Changeling. A mão do nosso estimado diretor faz toda a diferença. Na Hollywood que depende cada vez mais do 3D e tecnologias inovadoras, Clint Eastwood é algo como um datilógrafo trabalhando no Google. Um verdadeiro contador de histórias que, com sua técnica e talento, encanta na terra dos efeitos especiais.

E assim, de Tela Quente, Invictus torna-se uma história muito bonita sobre o Apartheid, o poder redentor do esporte, superação, sonhos e objetivos. Explora o poder que um time tem de transformar todos em iguais, em uma só torcida e um só coração, gritando juntos pelas mesmas cores. Como este ano tem Copa do Mundo fica ainda mais fácil entender este sentimento, que se faz presente principalmente nos papéis de Matt Damon, como capitão do time, e Nelson Mandela, interpretando Morgan Freeman. É com eles que está, no fim das contas, a responsabilidade de resumir a mensagem de Invictus: o homem que luta por uma causa, como diz o poema que dá nome ao filme, é dono do seu destino. E capitão da sua alma.

O que é legal: Trilha sonora espetacular. Os diálogos, como de costume nos filmes do Clint, de altíssimo nível. E na África do Sul, de acordo com o filme, todo mundo bebe Heineken.

O que não é legal: Apesar de encher a bola do Clint, achei este um trabalho bem inferior ao que ele vinha fazendo na última década. E o elenco… Ruim, inexpressivo, fraco. Principalmente para fazer as cenas clichê de que ele tanto gosta.

Só o trailer já é melhor que muito filme por aí:

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Tem gente que acha que filme de surfe é tudo igual. Quem viu um, viu todos. Se você está entre esta turma, dê uma chance para eu lhe dizer que este aqui é diferente.

Antes de mais nada, Riding Giants, de 2004, é dirigido por Stacy Peralta, o mesmo que em 2001 dirigiu o fantástico Dogtown and Z-Boys. E, da mesma maneira, este é muito mais que um filme com imagens de ondas e trilha hardcore. Trata-se, sim, de um documentário fenomenal sobre a origem do surfe em ondas gigantes. Como em Dogtown, a história foca um pequeno grupo de personagens, responsáveis por catapultar toda uma geração para fronteiras nunca antes imaginadas no esporte.

Mas, para chegar até esse ponto, o filme passa por toda a história do surfe como o conhecemos, apresentando diversos outros personagens e momentos históricos. Greg Noll, o êxodo californiano para o Hawaii, a primeira vez que Waimea deu as caras ao mundo, a descoberta de Mavericks por Jeff Clark, a história de Laird Hamilton… Ótimo para quem gosta de surfe, de documentários, de boas histórias ou dos três juntos.

O que é legal: O estilo das animações e direção de arte foi copiado à exaustão pela publicidade e outros filmes. O início do Tá Dando Onda, inclusive, é uma homenagem/paródia do início de Riding Giants. E, claro, um monte de lugares lindos com altas ondas animais!

O que não é legal: Titulozinho escroto em português, hein?

Se liga no trailer:

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Confesso que, ao ver pela primeira vez o trailer de Avatar, achei que tratava-se apenas de um filme fantástico sobre monstrinhos azuis de outro planeta. Logo ficou claro que ele era muito mais que isso. Avatar é o novo passo da indústria do cinema, dado por um cara que a conhece melhor que ninguém. James Cameron tem o poder de, em tempos de DVD pirata e torrents, conseguir fazer a segunda maior bilheteria de todos os tempos. E isso não é pouca coisa. Com seu 3D espetacular, é um filme para ser visto no cinema. Quem diria que, hoje em dia, eu só conseguiria assisti-lo na terceira tentativa, devido aos ingressos esgotados?

Vamos à história (só para constar, já que a mídia fez bem seu papel de divulgação e meio mundo já conhece o enredo). Avatar se passa no futuro, onde o homem conquistou a próxima fronteira. Em um planeta chamado Pandora, ele luta contra os Na´vi, os nativos da região, para tomar conta de uma rica reserva de recursos valiosos existente no local. Enquanto isso, uma equipe de pesquisadores realiza seu trabalho utilizando avatares, corpos iguais aos dos extraterrestres para onde a mente dos cientistas é transferida. Entre eles está Jake Sully, ex-fuzileiro paraplégico. É ele que irá virar a casaca e se juntar aos alienígenas para combater a invasão humana, em uma história ao melhor estilo O Último Samurai e Dança com Lobos.

É aí que está o maior ponto de críticas do filme: não é uma história original. Concordo, mas com uma grande ressalva. Como já aconteceu tantas vezes no cinema, na literatura e nas artes em geral, grandes histórias merecem ser contadas de maneiras diferentes ao longo dos anos. Neste caso, aparecem as alegorias quanto à política imperialista dos EUA e a extinção dos recursos naturais. Se hoje isso parece bobo e apelativo, imagino que daqui há alguns anos estes temas venham a representar bem o período no qual o filme foi lançado.

Já as características técnicas são inquestionáveis. Estive conversando com um neozelandês que trabalhou na equipe de produção do filme e, para se ter ideia, um grupo de três pessoas passou um ano trabalhando apenas nas tranças dos personagens. Ele também falou de uma garota que ficou três meses fazendo e refazendo uma cena de menos de um segundo, onde a asa da criatura voadora passa debaixo da água de uma cachoeira. O conjunto de todos estes detalhes é impressionante, e a imersão dentro do filme é sensacional.

Para quem espera uma grande história, repleta de inovações, sugiro que baixe um pouco suas expectativas e procure ver Avatar, sim, como o início de uma nova maneira de ver filmes. Vale a pena e é bem mais divertido.

O que é legal: Gostei muito do visual do filme, da construção fantasiosa dos cenários e dos detalhes. Tive a mesma sensação de estar lendo um livro e as imagens da tela serem aquelas que costumam se formar na nossa cabeça. Avatar conseguiu criar um mundo mágico e brilhante, com elementos parecidos com os da Terra, porém vistos sob um olhar totalmente diferente. Particularmente, me amarrei no visual rave-de-chácara do planeta Pandora, com aquela vegetação e águas-vivas voadoras fluorescentes.

O que não é legal: Os diálogos são de matar. Fracos, ruins, cheios de piadinhas sem graça para os pipoqueiros de plantão caírem na gargalhada. O destaque negativo aqui é o discurso pré-guerra que Jake faz para todos os Na´vi. Normalmente emocionantes, estes discursos são o ápice do diálogo do personagem em filmes de batalha. Não foi o caso.

Segue o trailer:

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Colocando ordem no cronograma e assistindo a alguns filmes que queria ter visto em 2009, acabei assistindo também a animação 9, de Shane Acker. Produzido por Tim Burton, fica evidente sua contribuição no visual apocalíptico e na atmosfera sombria que permeiam todo o filme.

A história é bem confusa e, pra ser sincero, achei o lance todo meio sem pé nem cabeça. Num enredo estilo Matrix, o mundo é dominado pelas máquinas. Após uma guerra entre elas e os seres humanos, só resta a destruição. No meio deste caos, sobrevivem alguns bonecos de pano que, fantasiosamente, agem como seres humanos. Nestas marionetes vive a alma do cientista que as criou, transferida através de um artefato mágico futurístico cheio de runas, bem como o Tim Burton gosta. São estes bonecos os responsáveis por salvarem um mundo repleto de destruição.

Mas salvarem de quê, se não há nada para ser salvo? E mais: em caso de sucesso, como reconstruir tudo isso, já que não passam de fantoches com vida?

É nesta questão que 9 se perde um pouco, como se o roteiro deixasse pontas soltas do início ao fim. Assim, a motivação deles passa a ser lutar contra as máquinas restantes que os oprimem. E aí sim o filme abre as portas para exibir o que tem de melhor: um visual muito bem trabalhado e bonito, detalhado e cheio de texturas. Mas insuficiente para salvar uma história fraca, que não me ganhou em nenhum momento.

Médio.

O que é legal: Uma cena em especial, onde a música Somewhere Over the Rainbow, do Mágico de Oz, acaba servindo de trilha para uma ação bem diferente do que o esperado. Gostei.

O que não é legal: Enredo atrapalhado. Parece que os caras tiveram a ideia de usar uns bonecos de pano com vida, mas não sabiam muito bem como. Então fizeram esse filme.

No trailer dá para conhecer todos os bonequinhos vodus do bem:

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Olá meus caros. Após o recesso de fim de ano e uma saudável distância do computador e da televisão, voltamos às nossas atividades normais. Ou não tão normais assim, se considerarmos que o filme que inaugura 2010 no Cagando Regra foge bastante do que costuma aparecer por aqui.

A Proposta, de 2009, é uma comédia romântica extremamente… hummm… romântica, dirigida por Anne Fletcher. E como qualquer comédia romântica, é perfeita para todas as mulheres que adoram esse tipo de filme.

(Para você aí, camarada, que vai ser obrigado por sua mulher a ver esse filme, uma dica: A Proposta passa rápido e tem algumas piadas engraçadinhas. Nada de rolar de rir, mas pelo menos não é mais um filme com o Ashton Kutcher ou a Jennifer Aniston.)

Enfim, vamos ao filme. Sandra Bullock é a chefe megera e venenosa de um secretário-capacho Ryan Reynolds. Em determinado momento ela se vê prestes a ser deportada para seu país, o Canadá. Apavorada, apela para sua única alternativa, declarando ao inspetor da alfândega que ela e o pau-mandado irão se casar. Após colocar algumas condições o ASPONE aceita o negócio, porém um extenso questionário de perguntas envolvendo as intimidades do casal força os dois a viajarem para a casa da família dele, no Alasca. É aí que eles se apaixonam e encontram o verdadeiro amor. Que bonito.

Entre os méritos, valeu a indicação da Sandra Bullock para Melhor Atriz de Comédia no Globo de Ouro do dia 17. Ela esté bem no filme, mas mesmo assim acho que volta para casa de mãos vazias.

O que é legal: Sandra Bullock pelada.

O que não é legal: Combo de clichê extremo.

Só no trailer já dá para saber como o filme inteiro vai ser:

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