Feeds:
Posts
Comentários

Archive for junho \28\UTC 2010

Assim que o filme começou, lembrei imediatamente porquê não fiz questão de assistir no cinema.

Que filme ruim.

Nesta interpretação mal sucedida de Tim Burton, a história de Alice perdeu toda sua psicodelia, todo seu fascínio, para tornar-se um mero desfile de vestidos coloridos e lugares comuns ultrapassados.

Vejam bem: eu nem me lembro de como é a história original em detalhes, já que lá se vão bons anos desde a última vez que a li. Portanto, não é uma questão de fidelidade à obra de Lewis Carroll ou não. A questão é que, a cada cena, fica a sensação de que ela só existe para que ali haja um recurso visual, um vestido diferente, um boneco animado mais colorido que o outro.

Gostaria de dizer que Alice não tem história, porque seria melhor assim. Mas, infelizmente, ela tem. Começa como qualquer desenho de princesa da Disney e termina como as Crônicas de Nárnia.

Lamentável.

O que é legal: Visualmente, o filme é lindo. A mão do Tim Burton é bem perceptível, como sempre.

O que não é legal: Eu, que já achava que o Tim Burton vinha se repetindo há tempos, agora tenho certeza disso. O Chapeleiro e Willy Wonka são tão iguais que chega a ser ridículo.

O que não é legal BÔNUS: Se o filme acabasse com aquela dancinha do Johnny Depp, eu juro que nunca mais via um filme do Tim Burton.

Read Full Post »

Olha esse poster… Lee Marvin. Charles Bronson. John Cassavetes.

Aqui não tem metrossexual, maquiagem, cabelinho com gel… Os Doze Condenados é uma reunião old school de maus-elementos de arrepiar!

Em plena Segunda Guerra Mundial, o Major Reisman (Lee Marvin) é convocado pelo alto comando do exército para liderar uma missão quase suicida: em pouquíssimo tempo ele deverá treinar 12 condenados à morte ou prisão perpétua como soldados, preparando-os para invadir um castelo repleto de nazistas e acabar com todos os alemães do recinto. Caso sejam bem-sucedidos, os prisioneiros receberão em troca a liberdade. Porém, não será fácil chegar até lá.

Antes de mais nada, os prisioneiros são rebeldes indisciplinados e têm muitos problemas com hierarquia. Além disso, não possuem treinamento nenhum. Para completar, trata-se de uma missão secreta, e por isso o exército não facilita as coisas para o Major Reisman.

O resultado é que o obstinado Major, aos poucos, consegue ganhar a confiança dos futuros soldados. Ensinando a eles técnicas de luta, investindo no sentimento de grupo e trabalhando a confiança e auto-estima dos presos, o Major Reisman consegue transformá-los.

De simples baderneiros, os condenados viram homens de verdade.

Sério… Isso aqui é um clássico!

O legal é que toda essa primeira parte vai culminar na cena da invasão, quando podemos ver finalmente a transformação pela qual os prisioneiros e o próprio Major passaram. Isso acontece em meio a muitos tiros, granadas, explosões e homens ao chão.

Épico.

O que é legal: Se você gostou de Inglourious Basterds, amigão, tem obrigação de assistir a esse filme aqui.

O que não é legal: O papel do Charles Bronson é o de um cara mais sensato, e sabe como é… A gente gosta é de ver ele barbarizando geral.

Read Full Post »

Como o remake de Karate Kid só estreia aqui no Brasil em agosto, resolvi dedicar o último sábado a rever (após os jogos da COPA) a trilogia de Daniel San e Sr. Myiagi.

Deixei o Karate Kid 4 de fora da lista de propósito, porque não gosto dele e acho que não tem nada a ver com os outros filmes. Enfim.

Passados uns 15 anos da última vez que assisti, é legal ver como a história continua tão cativante quanto eu me lembrava. A diferença é que, agora, os defeitos do filme e a atuação exagerada do Ralph Macchio ficam mais evidentes.

Porém as qualidades continuam lá, intocadas.

No primeiro filme, acompanhamos a mudança de Daniel San e sua mãe para a Califórnia. Convivendo com as dificuldades de adaptação à situação típicas dos garotos de sua idade, Daniel acaba encontrando no Sr. Myiagi, o zelador do prédio, mais que um amigo. Ele encontra um verdadeiro mestre de karate. Aí é um tal de pinta cerca pra cá, encera carro pra lá, lixa o chão pra cá, se equilibra no barco pra lá, tudo aquilo que eu me lembrava melhor. Incluindo, é claro, o clássico final onde Daniel San executa o chute do grou e vence o campeonato.

Em Karate Kid 2 o foco é maior na história do Sr. Myiagi. Devido a problemas com seu pai, o mestre precisa retornar a Okinawa, sua terra natal. Daniel vai com ele e temos, basicamente, o mesmo enredo do primeiro filme. O garoto arranja problemas com os rapazes da região e precisa enfrentar um lutador mais experiente no final. Desta vez, ao invés de um troféu, o que está em jogo é a honra e a própria vida! Enquanto isso, o Sr. Myiagi precisa resolver uma velha questão enterrada no passado.

De volta aos EUA, a história de Karate Kid 3 não é muito diferente. Desta vez Daniel San quer defender seu título em um campeonato e o Sr. Myiagi recusa-se a participar disso. Porém uma série de situações leva Daniel San a entrar, contra sua vontade, no torneio. Como seu mestre não quer treiná-lo, ele passa a frequentar as aulas de um vilão, preocupado apenas com a violência e alheio aos profundos ensinamentos do karate. Após uma lição baseada em raízes fortes como as de um lendário bonsai, Daniel volta ao caminho correto e, com a ajuda do Sr. Myiagi, vence o campeonato e torna-se bicampeão.

No geral, os três são filmes com uma estrutura de roteiro bem parecida. Mesmo assim, meu preferido continua sendo o Karate Kid 3, com todos seus ensinamentos e alegorias.

Espero que o remake tenha ficado tão legal quanto.

A julgar pelo trailer e o sucesso de bilheterias nos EUA, parece que sim. Vamos aguardar!

O que é legal: Para o povo da minha faixa de idade, Karate Kid é um daqueles clássicos da infância, que não podem ser analisados sem uma carga enorme de nostalgia. Quem não se lembra do Sr. Myiagi tentando pegar moscas com os palitinhos, do treinamento de Daniel San ou do chute do grou?

O que não é legal: O Daniel San é mais marrento do que eu me lembrava. Boa parte dessa marrentagem vem da atuação bem exagerada do Ralph Macchio. É sério, em certos momentos achei que ele merecia apanhar mesmo…

Read Full Post »

Youth in Revolt

Que comédia bizarra.

Youth in Revolt é algo como um “Clube da Luta nerd”.

Michael Cera (interpretando ele mesmo, como sempre) é Nick, o típico garoto derrotado que passa seus dias dedicando-se à masturbação plena. Sua mãe vive tendo casos com tipos bastante cafajestes e seu pai é o Steve Buscemi (yeah!). Mesmo em meio a toda a confusão que permeia sua vida, Nick consegue ser um bom garoto. Isso até ele conhecer Sheeni em um acampamento de trailers.

Sheeni é cool, é cult, é hype, é pedante, é fã do Godard.  É liberal com o ato de um quase desconhecido espalhar filtro solar em sua bunda e acha tudo que vem da França melhor. Basicamente, ela é insuportável. Mas não para Nick, que apaixona-se imediatamente pela garota.

Assim, nosso jovem herói tenta de tudo para conquistar a menina. Entretanto isso só será possível se ele ouvir os conselhos dela e, definitivamente, tornar-se um cara mau. E o jeito como isso acontece é o que esse filme tem de mais legal.

Ao invés de simplesmente virar outra pessoa, Nick cria uma personalidade paralela, que interage com ele e representa toda sua noção de bad boy. Esse cara tem bigodinho, calça branca, usa Ray-Ban, fuma e cospe no chão… É uma versão fringe do Michael Cera!

O problema é que os dois vão muito a fundo na história, arranjando problemas reais com a lei e complicando cada vez mais sua situação. Neste caminho, bem propício para uma avalanche de clichês, o que acontece é o contrário – situações inesperadas e bem engraçadas.

Youth in Revolt é criativo e divertido. Gostei bastante.

O que é legal: Além de interpretar ele mesmo, o Michael Cera conseguiu interpretar uma segunda versão de si próprio! Tudo isso fingindo que é um personagem! Não sei vocês, mas eu achei genial.

O que não é legal: O filme é bastante inventivo, mas mesmo assim os produtores acharam que precisavam chamar a atenção para ele de outra maneira. O jeito escolhido foi enfiar aquele gordo do Hangover na história, em um papel bem ruim e sem graça. Fora, Zach Gafilinakanaiskais! Vá fazer o Hangover 2 e contente-se com isso.

Read Full Post »

Still Walking é, desde seu título, algo para ser apreciado no pensar. Afinal, curiosamente ele conta a história de um homem que, vejam só, não consegue caminhar. Pelo menos até o final do filme.

Esta paralisia acontece no sentido metafórico, já que as pernas de Ryoto, nosso protagonista, não possuem nenhum problema em especial. O problema que ele tem, na verdade, é com sua própria família.

O pai, um japonês bem tradicional, considera Ryoto um traidor por ter abandonado a casa onde nasceu e se mudado para Tóquio. O rapaz trabalha com arte, é casado com uma mulher que já tinha um filho e vive cheio de incertezas por não possuir um emprego mais estável. Basicamente, ele representa os tempos modernos e as mudanças na sociedade.

O que, de certa forma, agride sua família e toda a tradição que ela representa.

A morte prematura de seu irmão mais velho contribui ainda mais para a dificuldade de relacionamento entre Ryoto e seus pais, que sentem a falta do primogênito e vivem da esperança de tudo o que ele poderia ter sido. De alguma maneira este mundo do “se” é o que torna o falecido irmão um mártir, enquanto coloca Ryoto cada vez mais no papel de traidor.

É num simples final de semana em família que todas estas tensões e questões vem à tona, nos atos mais simples e nos gestos mais banais. Na hora do banho, de ouvir música, de almoçar ou em na belíssima sequência envolvendo uma borboleta… Em cada cena silenciosa existe muito a ser dito. E muito bem dito, com a calma e cuidado tipicamente japoneses do diretor Kore-Eda Hirozaku.

Still Walking não é um filme para multidões. É simples, tranquilo e silencioso. E é exatamente aí que reside sua grandeza.

Este sim, com certeza, pode ser chamado de obra de arte.

O que é legal: Pense que Still Walking é algo como o origami dos filmes, o bonsai do cinema… Essas coisas. É o tipo de arte tipicamente japonesa, cheia de sensibilidade e sentidos.

O que não é legal: Por ser bastante vagaroso, Still Walking pode ser muito cansativo para aqueles que não embarcarem no filme com o diretor. Fica o aviso.

Read Full Post »

Tem um monte de filme bom aí. Assim que a COPA terminar, falamos com calma sobre eles.

Agora, pessoal, não dá.

É hora de secar alguns jogadores que foram à COPA com o objetivo único de me prejudicar no bolão.

Read Full Post »

E então o diretor Michael Mann coloca o Batman para perseguir o Jack Sparrow.

Dá certo? Bem… Em partes.

Michael Mann dirigiu Collateral, um thriller que gosto muito e que traz o Tom Cruise em um grande papel. Não acho que ele tenha conseguido criar em Public Enemies a mesma tensão que neste outro filme, mas conseguiu trazer características muito boas de um trabalho para o outro.

Uma destas características que se destaca, a meu ver, é a maneira como ele conduz um filme de perseguição.

Michael Mann consegue transformar o vilão John Dillinger (Johnny Depp) em um personagem simpático, porém sem ir tão longe a ponto que possamos torcer por ele. O mesmo ele faz com Melvin Purvis (Christian Bale). O investigador do FBI encarregado de caçar o famoso ladrão de bancos é pintado desde o início com tons arrogantes, porém não tanto a ponto que possamos ficar contra ele.

Existe um equilíbrio de posicionamentos similar ao existente entre os personagens. Ninguém é completamente bom, ninguém é completamente mau.

Infelizmente, o filme não consegue se aprofundar muito neste ponto, ficando mais centrado na própria história do Inimigo Público Número 1 da América, caçado com todas as armas para que o FBI recupere sua moral sob o comando do lendário J. Edgar Hoover.

É um filme bacana. Bom pra ver na Tela Quente.

O que é legal: As câmeras tem posicionamentos e movimentos que realmente dão gosto de ver. O Michael Mann é um diretor bem consistente neste ponto. Tem cada cena mais legal que a outra. A da fuga da prisão, então, é coisa de primeiro nível.

O que não é legal: Achei a construção de John Dillinger um pouco romatizada demais, excessiva.

Read Full Post »

Older Posts »