Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Biografia’ Category

Existem momentos-chave na vida que são realmente representativos, onde muitas vezes uma minoria é responsável por mudanças que redefinem o rumo de toda a maioria. É o tipo de coisa que acontece nas artes, nas ciências, na política… E, claro, no esporte.

Particularmente, são exatamente estas últimas as que mais me atraem. Talvez seja este um dos motivos que me levam a gostar tanto de filmes como Dogtown and Z-Boys, narrando o surgimento do skate como meio de expressão rebelde, agressivo e radical, ou uma história como a de Riding Giants, traçando toda a trajetória do surfe de ondas grandes através de poucos personagens.

Em Bustin’ Down the Door não é diferente. Marcado pela estética de fitas Super 8 e trilha sonora dos anos 70, o documentário de Jeremy Gosch é um exercício de nostalgia para os mais velhos, e uma bela aula para os mais novos entenderem como o surfe tornou-se a grande indústria que é hoje em dia.

O que ele narra é a chegada de alguns garotos australianos e sul-africanos ao Hawaii no inverno de 75. E o que isso tem de especial? Nada, não fossem estes garotos Shaun Tomson, Mark Richards, Wayne Rabbit Bartholomew e Ian Cairns – basicamente, os responsáveis pela transformação surreal de um elemento da contracultura em um esporte profissional. Algo impensável, equivalente a um hippie ser (muito) bem pago para ser hippie profissional nos dias de hoje. Levando-se em consideração, claro, que este hippie virasse de cabeça para baixo a maneira como a maioria dos hippies fazia as coisas até então.


Enfim… Divagações e analogias à parte, Bustin’ Down the Door é um filme precioso, valioso, não só pelas riquíssimas imagens ou por contar a história de personagens determinantes dentro de um esporte que vai muito além disso. Seu valor também vem de algo mais profundo: o reconhecimento àqueles que tiveram coragem de mudar todo o mundo em busca do mundo com o qual sonharam.

O que é legal: Nenhuma das tecnologias atuais consegue ter o charme de um vídeo Super 8. Me desculpem, mas os anos 70 têm uma estética sem igual. Vale a pena visitar o site do filme, que traz um pouco desse visual incomparável.

O que não é legal:

Anúncios

Read Full Post »

Mais um filme inglês sobre hooligans, gangues e muita violência.

Rise of the Footsoldier veio muito bem recomendado pelo pessoal aqui da agência. Por outro lado, o Rotten Tomatoes escancara implacáveis 14% de aprovação na história. Para mim, o filme ficou entre essas duas opiniões.

Não é uma bomba medíocre, mas também está longe de ser um filmaço.


Por tratar-se de uma história baseada em fatos reais, Rise of the Footsoldier não possui muitos artifícios de roteiro ou viradas interessantes. É seco, cru, real como uma briga de torcidas.

No início o diretor Julian Gilbey procura nos contar a saga de Carlton, um inglês metido a valentão (como a maioria dos ingleses), envolvido constantemente em brigas de torcida e outros atos violentos de vandalismo e delinquência juvenil explosiva.


Aos poucos, após ter uma MACHADINHA cravada na cabeça em uma briga no metrô, Carlton concentra-se em, digamos, construir uma carreira. Passa a fazer serviços como segurança de bar e outras atividades truculentas, até que o inevitável acontece.

Não demora muito para que o rapaz torne-se um criminoso de maior escalão, negociando diretamente com outros líderes de gangues e envolvendo-se em crimes cada vez maiores.

Entretanto, no meio de toda esta confusão, Carlton mostra-se um criminoso esperto. Evita drogas, exposição gratuita e brigas desnecessárias. Todas estas atitudes serão essenciais para o caminho que o filme toma no final, quando a coisa fica realmente pesada.


O diretor Julian Gilbey tem um sadismo doentio e mostra a todo instante closes de buracos de bala na cara dos criminosos, cabeças arrebentadas e corpos detonados. Definitivamente, Rise of the Footsoldier não é um filme que eu recomendaria para todo mundo.

O que é legal: Mesmo sem o charme de seus parentes italianos ou novaiorquinos, Rise of the Footsoldier não deixa de ser um filme de máfia. E máfia é sempre legal.

O que não é legal: O roteiro é bem confuso, pulando da história de um personagem para o outro sem muitos rodeios, dando a impressão de que o filme sabe onde quer chegar, mas não tem muita ideia de como ir até lá.

Read Full Post »

Já que hoje eu falei de Fish Tank, esse parece um bom momento para comentar The Blind Side, um filme extremamente hollywoodiano mas que, de alguma maneira, conversa com o queridinho britânico do momento.

Baseado na história real de Michael Oher, uma das maiores estrelas do futebol americano, The Blind Side também conta a história de um jovem miserável, vítima de um sistema que reserva a poucos o ouro e a muitos as baratas. Entretanto, a história de Michael, real, é diferente da história que vemos em tantas ficções. Ela tem um final feliz.


Seja por obra do acaso, da sorte ou do destino, os caminhos do garoto criado nas favelas por uma mãe viciada em crack cruzam-se com os da rica família Tuohy.

Comandada pela mãe (papel que deu o Oscar de melhor atriz a Sandra Bullock), a família acolhe o garoto em sua casa. Com o tempo, a presença torna-se mais forte, os laços estreitam-se e finalmente Michael é adotado. Entretanto, esta atitude traz complicações que vão do preconceito ao medo, da falta de confiança à preocupação com a opinião alheia.


Paralelamente, acompanhamos o esforço da família e do técnico de futebol americano do colégio para tornarem Michael uma estrela do esporte. Este caminho, como tudo na vida de Michael, também não é fácil. O garoto precisa aprender a lidar com suas virtudes, limitações e expectativas – o que não é simples para quem nunca havia dormido numa cama até então.

Demorei algum tempo para assistir The Blind Side, muito por achar que seria um filme sonolento. Estava enganado. The Blind Side não é nada de espetacular, mas tem seus bons momentos.

Vai fazer sucesso na Globo.

O que é legal: O filme é BASEADO em uma história real. O que isso significa? Que há muita licença poética e espaço para que o diretor John Lee Hancock crie um conto de fadas doce e sensível, valorizando a jornada de oportunidades e transformação de um garoto praticamente perdido em um ídolo americano do esporte.

O que não é legal: É um filme como tantos que eu já vi, com a mesma estrutura, com os mesmos clichês. É mais do mesmo.

Read Full Post »

Acho que todo mundo já passou, pelo menos uma vez na vida, por aquela fase em que deseja largar tudo e apenas viver. Deixar para trás todas as contas, as pressões, o emprego que não satisfaz, as relações que não são de verdade, tudo aquilo que nos prende a atenção e impede que vejamos quem realmente somos.

É por isso que me parece tão fácil qualquer pessoa identificar-se de imediato com a história de Chris, o personagem principal de Into the Wild.


Baseado em uma história real, o belíssimo filme de Sean Penn narra a história deste garoto recém saído da universidade, inconformado com a previsibilidade de seu futuro – ganhar um carro novo, ter um emprego medíocre, casar, ter filhos, para no fim das contas tornar-se alguém como seus pais, infelizes, vivendo uma grande mentira a cada dia.

Tudo isso motiva Chris a abandonar tudo e embarcar na grande aventura de sua vida. Sem carro, carteira de identidade ou dinheiro, ele parte rumo ao Alasca, onde espera encontrar, na natureza selvagem, o seu verdadeiro eu.

Como o ensinamento que diz que o que vale é o caminho, não o destino, esta descoberta começa muito antes da ida de Chris para as montanhas nevadas. Na estrada ele conhece pessoas verdadeiras, complexas, repletas de humanidade. Em sua simplicidade, cada uma delas tem muito a ensinar, e também a aprender com o jovem rapaz.

Se há um filme que é realmente inspirador, este filme é Into the Wild. E esta é apenas uma das razões pelas quais eu nunca me canso de assisti-lo.

O que é legal: Toda a trilha sonora foi composta por Eddie Vedder especialmente para o filme. Com uma música melhor que a outra, vale muito a pena correr atrás dela também.

O que não é legal:

Read Full Post »

Ip Man 2 começa exatamente onde terminam os acontecimentos do primeiro filme (para ler sobre ele, clique aqui).

Após escapar do exército japonês, Ip Man e sua família fogem para Hong Kong, onde vivem de forma muito modesta. Comparando-se ao palácio onde eles moravam no primeiro filme, é um choque bem grande. A necessidade é responsável, mais uma vez, por fazer o mestre quebrar seu juramento. Isso o leva a alugar um local onde possa ensinar o Wing Chun.

Logo no início do empreendimento, Ip Man descobre que não será fácil manter sua escola de artes marciais. Ao defender um de seus discípulos, ele fica sabendo que há um código de honra entre os mestres de Hong Kong, e que para abrir uma escola ele antes deverá derrotar todos eles em combate.

Após triunfar sobre todos os estilos e empatar a luta com o mestre de Hung Gar, Ip Man é autorizado a ensinar suas técnicas em Hong Kong. Entretanto, vários problemas continuam aparecendo em sua vida. O maior deles, desta vez, é a opressão colonialista dos ingleses.

Mais uma vez este confronto entre nações é tomado de forma pessoal em uma grande luta entre os personagens. De um lado, o imbatível boxeador inglês. De outro, o mestre Ip Man. Em jogo, a honra e o orgulho de todo um país.

Não achei tão bom quanto o primeiro, mas gostei bastante.

O que é legal: Além de mostrar vários estilos de kung-fu, finalmente temos uma menção a Bruce Lee na história.

O que não é legal: Essa história de uma grande luta entre nações já tinha sido explorada no primeiro filme. Fiquei com a sensação de que o final das duas partes é meio repetitivo.

Read Full Post »

E então o diretor Michael Mann coloca o Batman para perseguir o Jack Sparrow.

Dá certo? Bem… Em partes.

Michael Mann dirigiu Collateral, um thriller que gosto muito e que traz o Tom Cruise em um grande papel. Não acho que ele tenha conseguido criar em Public Enemies a mesma tensão que neste outro filme, mas conseguiu trazer características muito boas de um trabalho para o outro.

Uma destas características que se destaca, a meu ver, é a maneira como ele conduz um filme de perseguição.

Michael Mann consegue transformar o vilão John Dillinger (Johnny Depp) em um personagem simpático, porém sem ir tão longe a ponto que possamos torcer por ele. O mesmo ele faz com Melvin Purvis (Christian Bale). O investigador do FBI encarregado de caçar o famoso ladrão de bancos é pintado desde o início com tons arrogantes, porém não tanto a ponto que possamos ficar contra ele.

Existe um equilíbrio de posicionamentos similar ao existente entre os personagens. Ninguém é completamente bom, ninguém é completamente mau.

Infelizmente, o filme não consegue se aprofundar muito neste ponto, ficando mais centrado na própria história do Inimigo Público Número 1 da América, caçado com todas as armas para que o FBI recupere sua moral sob o comando do lendário J. Edgar Hoover.

É um filme bacana. Bom pra ver na Tela Quente.

O que é legal: As câmeras tem posicionamentos e movimentos que realmente dão gosto de ver. O Michael Mann é um diretor bem consistente neste ponto. Tem cada cena mais legal que a outra. A da fuga da prisão, então, é coisa de primeiro nível.

O que não é legal: Achei a construção de John Dillinger um pouco romatizada demais, excessiva.

Read Full Post »

Ip Man é uma biografia bem livre de Ip Man, o grande mestre chinês de Wing Chun, mais conhecido por ter sido o mestre do Bruce Lee.

Vou repetir: é a história do cara que ensinou o Bruce Lee a lutar.

Continuando… O início do filme nos leva a 1938, na cidade de Foshan, na época um grande polo chinês de artes marciais. No mundo da luta, Foshan era o lugar para se estar. Por todos os lados, mestres e mais mestres ensinavam a seus alunos diferentes técnicas e estilos de kung-fu. Porém, entre todos os professores e aspirantes, nenhuma técnica comparava-se a do imbatível mestre Ip Man. Curiosamente, é justamente ele quem recusa-se a ter discípulos em tempos de paz, relutando em ensinar sua técnica e negando vários pedidos insistentes.

Infelizmente, estes tempos de paz não duram muito em Foshan. Por conta da Segunda Guerra, a China é invadida por tropas japonesas, que espalham o medo e o terror por onde passam. Após dizimar grande parte da população, o exército toma a casa da família de Ip Man e a transforma em um quartel-general. São tempos difíceis, onde a miséria e a desesperança dão um tom cinzento e melancólico ao filme.

Vindo de família rica e agora vivendo com muito pouco, Ip Man é obrigado a trabalhar pela primeira vez na vida. Devido à Guerra, as opções não são muitas, e seu destino é uma fábrica de carvão. É nesta fábrica que, diariamente, soldados japoneses recrutam lutadores para um torneio promovido por seu General, onde os homens precisam provar suas habilidades marciais em troca de um saco de arroz. Ao perceber que um grande amigo seu não voltou do torneio, Ip Man prontifica-se a participar.

Após derrotar 10 homens simultaneamente, a habilidade e técnica de Ip Man são reconhecidas imediatamente pelo General japonês, que tenta a todo custo convencer o mestre a ensinar seu kung-fu às tropas do Japão. Para o orgulhoso e patriótico Ip Man, esta é uma possibilidade fora de cogitação. Seria preferível morrer a ensinar estes homens.

Como se não bastassem os problemas com o exército, o povo ainda é assolado constantemente por hordas de bandidos e gangues. Um dos alvos preferidos dos ladrões é a fábrica de algodão do tio de Ip Man. Após um dos ataques à fábrica, Ip Man finalmente quebra sua promessa e começa a treinar todos os funcionários da fábrica para que eles saibam se defender sozinhos.

Diariamente, homens, mulheres, velhos e crianças treinam com Ip Man as técnicas do Wing Chun. Esta é uma das passagens mais legais do filme!

Enquanto Ip Man treina os funcionários, o General japonês continua procurando o mestre chinês em todo canto. Quando finalmente o encontra, da mesma maneira que acontece no Mestre das Armas, ele desafia Ip Man para um combate, com o objetivo de minar a auto-estima do povo através da derrota de seu maior herói. Este duelo vai culminar em uma cena épica. Sobre um tablado decorado com dezenas de bandeiras japonesas, os dois homens enfrentam-se em uma batalha maior que eles mesmos, onde o que está em jogo é a própria honra e orgulho de seus países.

Para quem gosta de filmes de luta, Ip Man é essencial.

O que é legal: As cenas de luta são sensacionais. Mesmo.

O que não é legal:

Read Full Post »

Older Posts »