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Archive for março \24\UTC 2011

Que filme bom. Quer um conselho? Não leia nada do que está escrito nos próximos parágrafos, não leia nada na internet, não veja o trailer. Apenas ligue o filme e deixe que ele te surpreenda.

Para você que já assistiu ou vai continuar lendo e teimando comigo, vou tentar economizar no spoiler. Never Let Me Go é um filme que te carrega. Cada cena vai criando tensões diferentes e perturbadoras, de uma maneira estranha e incômoda, que faz com que você sinta que algo não vai bem no dia a dia de um grupo de crianças que estudam em um internato. Há algo muito estranho por trás da normalidade do recreio e dos desenhos da aula de Artes. Quando fica claro o que é que está acontecendo, você leva um choque. E quando está se recuperando, relaxado tomando vinho e comendo salaminho no sofá, leva outro choque. E assim Never Let Me Go vai, de choque em choque, carregando você através da sua história.

Tudo no caminho contribui pra isso, da trilha sonora à direção, dos figurinos às atuações acima da média. Keira Knightley, Carey Mulligan e Andrew Garfield (o Eduardo Saverin do Facebook) estão muito bem nos seus papéis. Não vou falar mais do que isso pra não estragar a experiência do filme para quem ainda não viu. Apenas confie e embarque nessa história de gente grande, muito diferente do que parece num primeiro olhar.

Eu ia colocar o trailer aqui, mas ele REALMENTE acaba com a graça do filme (e ainda faz ele parecer um simples romance medíocre).

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Dedos arrancados com faca cega. Dedos decepados dentro do missoshiru. Dedos arrancados com estilete. Não importa como, se tem uma coisa que Outrage manda longe são os dedos da Yakuza.

A trama é um pouco confusa, até porque torna-se virtualmente impossível entender bem o papel de cada personagem em um filme cheio de japoneses de terno preto. Não me levem a mal, por favor, mas eu tenho dificuldade em diferenciar. É como nos filmes de guerra, que demoro a entender quem é quem naquele mar de soldados vestidos do mesmo jeito e com as mesmas caras de mulambentos selvagens.

Enfim. O que acontece é que as várias famílias da Yakuza jogam um jogo de poderes, onde cada um interpreta seu personagem rumo ao poder e ao dinheiro. Traição, mentira, trapaça. Outrage possui todos os ingredientes de uma novela mexicana, mas com o tempero do wassabi e a crueldade da terra do sol nascente. Neste jogo, o personagem do psicótico Takeshi Kitano deveria ter pendurado as chuteiras há muito tempo. Ele é um mafioso das antigas, que respeita a honra e a tradição de cortar os dedos por qualquer motivo (o seu e o dos outros). É desse jeito que ele se mete em uma grande enrascada, onde ninguém é confiável e a violência rola solta.

Bom filme para quem curte a insanidade violenta dos japoneses.

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Você aí, que ficou todo deslumbrado e assustadinho com o Cisne Negro, devia ver esse filme aqui pra entender o que é alguém buscar seu lado sinistro. Nele, o Dustin Hoffman é um cientista matemático muito pacato, adepto dos blazers de lã, óculos fundo de garrafa e outros acessórios caricatos. Isso em 1971, é claro, quando o filme foi feito. Hoje em dia é moda andar vestido de Bill Gates. Enfim, o caso é que ele é casado com uma mulher que não usa sutiã e esbanja sensualidade. Então este casal peculiar muda-se para uma cidadezinha da Escócia infestada de rednecks escoceses, uns caipiras bêbados de whisky muito truculentos e barra-pesada. O problema é que eles estão trabalhando na reforma da casa de nosso amigo estudioso dos números. A sujeira só está para começar.

Como eu disse, este filme é de 1971, dos bons tempos dos filmes com personagens que reagem. Não tem essa de correr pra baixo da cama, se esconder no sótão, fugir pro meio da floresta. Nessa época os personagens davam seu jeito de resolver as coisas. Então o que acontece é que alguns problemas começam a aparecer, e o Dustin Hoffman precisa se virar para dar um jeito nisso. E é o jeito como esse professor bundão vai se transformando em um vingador irracional que é sensacional. É isso que dá um sarrafo em qualquer filmeco de balé pretensioso e cheio de arte vigarista. Porra, o Dusatin Hoffman prende uma armadilha de urso na cabeça de um cara! Aí entra em cena a mão do diretor Sam Peckinpah, que poderia tranquilamente mijar em cima dos blu-ray de todos os indicados ao Oscar de 2011. Sam Peckinpah, o mestre da câmera lenta, é também o mestre da edição, da tensão e do climax violento. Explosivo.

Quando estava procurando o poster, encontrei um cara dizendo que o Straw Dogs é lento e mal executado. Uma bobagem, é claro, quando a grande graça é ir até o limite junto com o protagonista. Por isso, amigo, não fale besteira. Veja esse filme e aprenda de uma vez por todas: são filmes como esse que fazem o cinema ser o que é. E não é nenhum Colin Fith gago nem Natalie Portman dançarina virgem que vão conseguir provar o contrário.

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