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Archive for the ‘Japão’ Category

Dedos arrancados com faca cega. Dedos decepados dentro do missoshiru. Dedos arrancados com estilete. Não importa como, se tem uma coisa que Outrage manda longe são os dedos da Yakuza.

A trama é um pouco confusa, até porque torna-se virtualmente impossível entender bem o papel de cada personagem em um filme cheio de japoneses de terno preto. Não me levem a mal, por favor, mas eu tenho dificuldade em diferenciar. É como nos filmes de guerra, que demoro a entender quem é quem naquele mar de soldados vestidos do mesmo jeito e com as mesmas caras de mulambentos selvagens.

Enfim. O que acontece é que as várias famílias da Yakuza jogam um jogo de poderes, onde cada um interpreta seu personagem rumo ao poder e ao dinheiro. Traição, mentira, trapaça. Outrage possui todos os ingredientes de uma novela mexicana, mas com o tempero do wassabi e a crueldade da terra do sol nascente. Neste jogo, o personagem do psicótico Takeshi Kitano deveria ter pendurado as chuteiras há muito tempo. Ele é um mafioso das antigas, que respeita a honra e a tradição de cortar os dedos por qualquer motivo (o seu e o dos outros). É desse jeito que ele se mete em uma grande enrascada, onde ninguém é confiável e a violência rola solta.

Bom filme para quem curte a insanidade violenta dos japoneses.

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Still Walking é, desde seu título, algo para ser apreciado no pensar. Afinal, curiosamente ele conta a história de um homem que, vejam só, não consegue caminhar. Pelo menos até o final do filme.

Esta paralisia acontece no sentido metafórico, já que as pernas de Ryoto, nosso protagonista, não possuem nenhum problema em especial. O problema que ele tem, na verdade, é com sua própria família.

O pai, um japonês bem tradicional, considera Ryoto um traidor por ter abandonado a casa onde nasceu e se mudado para Tóquio. O rapaz trabalha com arte, é casado com uma mulher que já tinha um filho e vive cheio de incertezas por não possuir um emprego mais estável. Basicamente, ele representa os tempos modernos e as mudanças na sociedade.

O que, de certa forma, agride sua família e toda a tradição que ela representa.

A morte prematura de seu irmão mais velho contribui ainda mais para a dificuldade de relacionamento entre Ryoto e seus pais, que sentem a falta do primogênito e vivem da esperança de tudo o que ele poderia ter sido. De alguma maneira este mundo do “se” é o que torna o falecido irmão um mártir, enquanto coloca Ryoto cada vez mais no papel de traidor.

É num simples final de semana em família que todas estas tensões e questões vem à tona, nos atos mais simples e nos gestos mais banais. Na hora do banho, de ouvir música, de almoçar ou em na belíssima sequência envolvendo uma borboleta… Em cada cena silenciosa existe muito a ser dito. E muito bem dito, com a calma e cuidado tipicamente japoneses do diretor Kore-Eda Hirozaku.

Still Walking não é um filme para multidões. É simples, tranquilo e silencioso. E é exatamente aí que reside sua grandeza.

Este sim, com certeza, pode ser chamado de obra de arte.

O que é legal: Pense que Still Walking é algo como o origami dos filmes, o bonsai do cinema… Essas coisas. É o tipo de arte tipicamente japonesa, cheia de sensibilidade e sentidos.

O que não é legal: Por ser bastante vagaroso, Still Walking pode ser muito cansativo para aqueles que não embarcarem no filme com o diretor. Fica o aviso.

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Carancho

Este é outro que quero ver, vindo aqui da fronteira hermana.

Conta a história de um advogado especializado em acidentes de trânsito, que se aproveita das leis de indenizações para engatar um negócio milionário com seus comparsas engravatados.

Procurando potenciais clientes na noite porteña, o homem conhece uma médica e começa uma história com ela.

Os dois ficam ligados, então, por um paciente. Enquanto a doutora quer salvá-lo o advogado quer fazer dele um cliente.

Parece um dramalhão ruim, mas o trailer é muito bom. Tem ação, drogas, sexo, sangue e tudo mais que o povo gosta.

Outrage

Agora sim, povo do Brasil, a gente começa a conversar.

Takeshi Kitano, que já apareceu no Cagando Regra barbarizando os escolares em Battle Royale, volta ao mundo dos mafiosos da Yakuza e metralha todo mundo em Outrage.

Pelo que andei vendo no G1, a luta entre as famílias mafiosas rivais tem direito a sopa de dedos decepados, línguas esmigalhadas, miolos espatifados e mais uma sorte de requintes de crueldade orientais.

Para manter a tradição de Cannes, um monte de críticos usando cachecol abandonou o filme na metade, pois não suportou a violência.

Sim, tem um povo bem afrescalhado nessas paradas.

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Há muitos anos, quando eu ainda estava na faculdade, pude assistir a esta espetacular animação japonesa em um dos cinemas da Fundação Cultural de Curitiba. Não lembro se era o Luz ou o Ritz (sempre confundi o nome dos dois), mas isso não importa agora. Na época fiquei impressionado com a obra criada por Hayao Miyazaki, tão surreal e fascinante quanto um Alice no País das Maravilhas.

Na história a família da garotinha Chihiro está de mudança, quando seu pai erra o caminho para a nova casa e encontra um misterioso túnel. Ao atravessá-lo, Chiriro e seus pais chegam a uma cidade abandonada que, ao cair da noite, começa a ser povoada por estranhos espíritos. Após ter seus pais transformados em porcos, Chiriro precisa trabalhar na Casa de Banhos dos espíritos a fim de reverter o feitiço e escapar do local.

Pois bem, dia desses resolvi assistir novamente à Viagem de Chihiro. Desta vez, fiquei com a sensação nítida de que falta repertório para nós, ocidentais, entendermos plenamente todos os sentidos do filme. Sem conhecer a cultura do Japão, fica difícil especular se tudo na história não passa de sonho, ou se por acaso aquilo representaria um pós-morte de Chihiro, ou alguma coisa parecida. Sinais para isso existem – o buquê de rosas que a menina leva, o túnel, um rio intransponível, o fato de estar desaparecendo… É certo que o roteiro de Miyazaki deixa sua mensagem bem clara desde o início. Pelo menos para seus compatriotas.

Para nós, mesmo perdendo em profundidade, resta uma animação que vale muito a pena ser vista.

O que é legal: Em tempos de 3D vazios, sou muito mais ver uma grande animação em 2D, caprichada, com trilha cuidadosa e personagens cativantes.

O que não é legal: Eu realmente não consigo achar defeitos neste filme.

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Sabe como eu sei que vou gostar de um filme, logo no primeiro minuto? Quando ele começa com um texto que explica toda a premissa da história, partindo direto para a ação. É garantia de coisa boa, sem muitas explicações nem artismos pela frente. Só explosão e frases de efeito!

É o que acontece em Battle Royale, este genial filme japonês. Como o texto inicial explica: em 2000, o desemprego e falta de perspectivas assolam o Japão. É um cenário caótico apocalíptico, onde os jovens não respeitam mais ninguém e só querem saber de vandalizar geral. Uma medida precisa ser tomada. Ela vem na forma de um decreto governamental, a Lei Educacional do Milênio, também conhecida como Lei Battle Royale.

Aleatoriamente, uma turma de escolares é escolhida para um jogo mortal. Levados para uma ilha isolada, os adolescentes gazeadores de aula terão três dias para eliminarem uns aos outros. A sinistra provação termina quando houver apenas um sobrevivente. Caso isso não aconteça, todos explodem através de um sinal emitido para seus colares de prisioneiros.

Logo que são informados das regras da matança, os jovens dividem-se em dois grupos. Um deles, claro, acredita na força do amor e da amizade, fazendo de tudo para tentar se salvar sem sujar as mãos de sangue. Já o outro grupo não tem o mesmo Buda em seus corações. Ele é formado por gente psicopata com tendências assassinas mórbidas, disposta a fazer de tudo para garantir seu bilhete de volta para casa.

Sem construções complexas de personagens, fotografias espetaculares ou diálogos dignos de menção, Battle Royale é algo como uma mistura de Big Brother e Lost feita por um Robert Rodriguez japonês.

Não falei que era genial?

O que é legal: Como na maioria dos filmes japoneses envolvendo violência, prepare-se para muitos esguichos de sangue, cabeças cortadas, mutilações, ideias doentias e desvios de conduta da pior espécie.

O que não é legal: Flashbacks inúteis. Atitudes sem sentido. Nenhuma nudez. Final bizarro!

Pega o trailer:

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Qual é o melhor momento para uma emboscada a uma mulher perigosa? Provavelmente durante o banho, enquanto a doce assassina está desarmada e vulnerável. Isso se ela não for Inoshika Ocho, a personagem principal de Sex and Fury. Percebendo o perigo, a letal e sedutora japonesa abandona o ofurô, completamente pelada, toma a espada de um de seus inimigos e parte para cima de uma dúzia de yakuzas, perfurando seus oponentes e espalhando sangue e membros decepados sobre a neve.

E essa é só a primeira cena de luta desse filmaço japonês, um verdadeiro pandemônio de sangue e erotismo promovido pelo diretor Norifumi Suzuki em 1973.

Nessa época, logo após a chegada da televisão no Japão, o cinema do país entrou em crise e viu como solução produzir muitos desses filmes delinquentes para atrair a plateia, com histórias de prostituição forçada e vingança.

Por isso, a história aqui não é nenhuma novidade. Atendendo ao último desejo de um jogador trapaceiro moribundo, Ocho vai a Tóquio em busca da irmã dele, para resgatá-la das garras de um político cafetão. Lá ela encontra os três vilões responsáveis pelo covarde assassinato de seu pai, depois de procurá-los por tanto tempo, e dá continuidade à sua saga de vingança. Ao mesmo tempo, ela se vê envolvida com uma espiã ocidental, interpretada pela sueca Christina Lindberg.

Sim, o roteiro é bem confuso. Em compensação, as cores e enquadramentos são geniais. Mas o que importa mesmo é a parte da Christina Lindberg! Mais uma vez, como no Thriller, ela mostra toda a malemolência da mulher sueca, com sua desenvoltura e safadeza sem limites. E se agarra pelada com uma japonesa!

Espadas, hordas de inimigos, muito sangue, gueixas peladas e mutilações. O que mais precisa para chamar esse filme de um baita entretenimento bom?

O que é legal: Peitos, bundas de gueixas, trapaça, bater carteira, tatuagens, artes marciais, vingança, membros decepados, spray de sangue, tortura na discoteca do terror, bolsinhas indecentes, chicote, mulheres acorrentadas, lesbianismo. Freiras com canivetes!

O que não é legal: O filme só tem duas cenas de luta com espadas. Apesar de serem espetaculares, mais cenas de ação brutal poderiam ter entrado no roteiro, no lugar de um melodrama patético que se desenrola ao longo da trama.

Como não tem trailer disponível no Youtube, vai essa cena aqui, com os créditos do início do filme:

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O que eu gosto no Tarantino é que ele nunca esconde as referências dos seus filmes. Pelo contrário, as indica claramente pra que você possa entender bem de onde ele tirou cada elemento das suas histórias.

É o que acontece com Lady Snowblood – o pai, mãe e família adotiva de Kill Bill. Além do enredo, aqui estão presentes a lista de nomes para a vingança, a divisão em capítulos de acordo com cada um deles, o treinamento com um mestre rigoroso, os flashbacks contados em forma de animação e, claro, a cena de duelo de espadas na neve, com sangue vermelho espirrando sobre o chão branco. Como se não bastasse, a música tema da personagem também foi usada em Kill Bill, e ouvi-la aqui faz todo o sentido.

A trama é simples. No Japão de 1873, uma mulher é brutalizada e seu marido assassinado violentamente por uma gangue formada por quatro criminosos. Em busca de vingança ela mata um deles, e por esse motivo é presa. Frustrada por não conseguir cumprir seu objetivo, essa mulher transa com todos os homens da cadeia, até que finalmente engravida e tem uma filha. A menina, nascida na prisão, vem ao mundo com um único propósito: herdar a vingança de sua mãe. Treinada desde pequena por um mestre ancião, ela se torna uma assassina mortal, passando a promover um festival de mutilações de membros, jorros de sangue e esquartejamentos em busca de seu objetivo.

Apesar da violência, é uma aula de cinema. Baita filme bom do caralho!

O que é legal: Toshiya Fujita, o diretor, conseguiu fazer no Japão de 1973 um filme que muita gente não consegue na Hollywood de 2009. Os enquadramentos são modernos e as cores espetaculares, com um final que mantém toda a questão do filme viva mesmo depois que ele termina. Como se não bastasse, o título original, Shurayukihime, é um tipo de trocadilho que significa Branca de Neve do Inferno!

O que não é legal: Em algumas cenas o sangue é muito irreal, muito vermelho e espesso. Parece que alguns dos bandidos engoliram uma lata de Suvinil e cuspiram fora na hora em que tomaram uma espadada no bucho.

O trailer é daquele tipo, meio esquisito mas vai:

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