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Archive for junho \09\UTC 2010

Platoon

Seguindo o caminho dos clássicos, acabei revendo um dos grandes filmes de guerra – Platoon, de Oliver Stone.

Baseado nas experiências que o próprio diretor viveu no Vietnã, o filme narra os horrores de um conflito sangrento e dominado pela paranoia. Quem nos conta essa história é o recruta Chris, interpretado por um jovem Charlie Sheen e rodeado por outras grandes estrelas, como Willem Dafoe, Tom Berenger, Forest Whitaker e um também jovem Johnny Depp.

Mais uma vez o foco principal não é na guerra em si, e sim na maneira como ela afeta os homens. O que é certo e o que é errado? Quem é o bem e quem é o mal? Estas e outras questões aparecem nas figuras dos sargentos Barnes e Elias. O primeiro, um louco violento e psicótico. O segundo, um pacifista humanitário. Ambos, porém, lutando contra algo muito pior que os vietnamitas. Em Platoon, o inimigo é a própria guerra.

Na figura de Chris, vemos a perda da inocência. Aos poucos o jovem recruta percebe que o dever cívico que o motivou a se alistar não existe, e que simplesmente não há sentido na carnificina que vivencia. Como a maioria de sua geração, Oliver Stone critica duramente o desperdício de vidas no Vietnã, sem honras ou glórias patrióticas típicas de Hollywood.

Tão importantes quanto o narrador são os personagens que orbitam ao redor dele, responsáveis por indicar nuances sociais e psicológicas que certamente afetam qualquer um que participe de uma guerra assim. Entram aí o medo, a contestação, a dúvida e o ódio – uma infinidade de sentimentos, misturados em um caldeirão infernal de bombas, trincheiras e mosquitos.

A maneira como eles surgem em tela não é fácil de digerir. São cenas de violência extrema, loucura e intolerância, representadas com muita competência em cenas como a invasão da aldeia, onde inocentes são mortos e espancados e o soldado finalmente transforma-se em um animal.

Que filmaço. Para ver e rever muitas vezes.

O que é legal: Platoon tem uma das cenas mais marcantes do cinema, quando o sargento Elias é baleado pelas costas e cai de joelhos, braços para o alto, enquanto o helicóptero vai embora. E a trilha deste momento… É algo fantástico.

O que não é legal: Depois que o Charlie Sheen virou a estrela de Two and a Half Man, fica difícil ver estes papéis dramáticos dele com os mesmos olhos.

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Esse é o ângulo.

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Clássico dos clássicos.

Olha… Eu nem precisaria falar nada sobre esse filme, dada a quantidade de informação sobre ele disponível na internet. Tudo o que eu disser aqui é facilmente suplantado por sites e blogs bem completos, com análises quadro a quadro, discussões teóricas, desenhos de fãs e tudo o mais.

Então vamos falar sobre isso: o porquê de tamanho culto.

The Good, the Bad and the Ugly fecha a chamada Trilogia dos Dólares do diretor Sergio Leone, que conseguiu unir um novo estilo de faroeste, mais brutal, uma das trilhas sonoras mais icônicas da história do cinema e, ainda, um jovem Clint Eastwood a caminho de tornar-se uma lenda.

É muita coisa importante para um filme só. Por isso, amigos, vamos por partes.

Em plena Guerra Civil, cada um se vira como pode. Entre essa gente está Tuco, o Feio, e o pistoleiro chamado como Loirinho, que seria o Bom do título. Para sobreviver e descolar um bom dinheiro os dois aplicam golpes nas autoridades para receber as recompensas. Paralelamente acompanhamos a história de Olhos de Anjo, o Mau, um mercenário caçador de recompensas em busca de um tesouro de 200 mil dólares. O que liga os três, e mais importante, é que nenhum deles é completamente mau ou bom. Simplesmente não há heróis nesta história.

Pois bem. De uma maneira que somente o destino poderia explicar, Tuco e Loirinho descobrem também que existe o tesouro em ouro que Olhos de Anjo procura. Como cada um deles possui uma parte da informação para encontrá-lo, isso faz com que fiquem ligados até o fim e não possam matar um ao outro. Entretanto, vontade é o que não falta.

É esta tensão que irá levar ao clímax do duelo final, onde Sergio Leone, após desfilar sua técnica durante o filme inteiro, mostra realmente a que veio. Closes nos olhos, grandes planos abertos, cortes rápidos e, claro, Ennio Morricone com sua sensacional trilha Ecstasy of Gold… É algo que não dá para explicar, só vendo para entender como isso é bom, criativo e espetacular.

Bom… É um filme tão grandioso que eu apenas não consigo falar sobre ele com a propriedade que deveria. Simplesmente assista, perca este preconceito ridículo com western e seja uma pessoa mais feliz.

O que é legal: O melhor diálogo de todo o filme acontece quando Tuco entra na loja de armas para escolher um revólver. Veja e depois me conte.

O que não é legal: Eu me recuso a falar qualquer coisa negativa sobre este filme!

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Depois de interpretar a sanguinolentinha Hit Girl em Kick-Ass, parece que a jovem Chloe Moretz caiu nas graças dos produtores como o nome certo em caso de papéis com grande dose de violência mirim.

Além de estar fazendo a vampirinha no remake americano (não vou ver) de Deixe Ela Entrar, o que por si só envolve um tipo de violência, acabei de ver no Omelete que a garota está escalada para estrelar a adaptação do romance Hick. E esse parece mais brutal.

No livro que dá origem ao filme, uma menininha de 13 anos é abandonada pelos pais, sendo deixada em casa “apenas” com uma Smith & Wesson .45, presente de seu tio. De arma na mão, ela cai na estrada em busca de caronas para chegar a Las Vegas. Com o caminho repleto de maníacos, estupradores, pedófilos e outros tipo de motoristas sem boas intenções, dá pra imaginar o que vai acontecer.

Se tudo isso se confirmar e a menina engatar neste caminho, de cara ela se torna um dos meus personagens favoritos. Não seria difícil imaginá-la em um remake de Thriller (sem as pornografias, é claro). Comparando as imagens, dá para dizer que ela seria perfeita para o papel da muda assassina interpretada pela Christina Lindberg.

E aí, alguma dúvida? Este eu veria com certeza.

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Estes dias terminei de assistir à série The Pacific, da HBO. Em um de seus últimos episódios, é narrada a invasão da ilha japonesa de Iwo Jima pelos Marines americanos, e podemos presenciar a verdadeira matança promovida nos dois exércitos durante esta batalha.

Como é uma série americana, acabamos vendo as coisas apenas por um lado. E foi aí que Clint Eastwood, um dos maiores diretores de Hollywood, quiçá do mundo, resolveu mudar um pouco o eixo da narrativa.

Então, em Cartas de Iwo Jima o que vemos é esta invasão pelo lado dos japoneses.

Dessa maneira. fica ainda mais claro um ponto básico da história, muitas vezes esquecido ou deixado de lado: aqueles soldados japoneses não eram vilões. Eram apenas homens comuns, como eu e você, lutando por uma causa e pela própria vida. Homens com medos, sentimentos, dúvidas e esperanças, prontos para morrer pelo seu país.

Por trás da honra e coragem dos japoneses, porém, há uma divisão entre as lideranças que atrapalha suas estratégias de guerra. E como já dizia o herói e lenda nacional Capitão Nascimento, estratégia é tudo. Muitos dos soldados não aceitam o fato de que seu general já viveu nos Estados Unidos, e inclusive mantém amizade com alguns yankees. Esta quebra de confiança e falta de um líder forte, somada à desesperança devido à diferença bélica e numérica, parece uma das principais causas para a derrota dos japoneses na batalha narrada.

Apesar do foco do filme estar bem concentrado nas pessoas, as cenas de batalha são muitas e bem feitas. É emocionante, forte, profundo e muito bem dirigido. Bom filme.

O que é legal: A condução da história é típica do Clint, usando com maestria os clichês e diálogos para emocionar. Grande diretor. (Semana passada foi aniversário dele, inclusive. Não são muitos que chegam aos 80 anos fiéis a suas propostas, com um grande trabalho e uma produção absurdamente ativa. Parabéns ao Clint!)

O que não é legal: Band of Brothers estabeleceu um novo patamar de qualidade para cenas de guerra. Depois delas, por mais bem feitas que sejam, a maioria das cenas parece um pouco irreal. Em Cartas de Iwo Jima não é diferente.

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Ip Man é uma biografia bem livre de Ip Man, o grande mestre chinês de Wing Chun, mais conhecido por ter sido o mestre do Bruce Lee.

Vou repetir: é a história do cara que ensinou o Bruce Lee a lutar.

Continuando… O início do filme nos leva a 1938, na cidade de Foshan, na época um grande polo chinês de artes marciais. No mundo da luta, Foshan era o lugar para se estar. Por todos os lados, mestres e mais mestres ensinavam a seus alunos diferentes técnicas e estilos de kung-fu. Porém, entre todos os professores e aspirantes, nenhuma técnica comparava-se a do imbatível mestre Ip Man. Curiosamente, é justamente ele quem recusa-se a ter discípulos em tempos de paz, relutando em ensinar sua técnica e negando vários pedidos insistentes.

Infelizmente, estes tempos de paz não duram muito em Foshan. Por conta da Segunda Guerra, a China é invadida por tropas japonesas, que espalham o medo e o terror por onde passam. Após dizimar grande parte da população, o exército toma a casa da família de Ip Man e a transforma em um quartel-general. São tempos difíceis, onde a miséria e a desesperança dão um tom cinzento e melancólico ao filme.

Vindo de família rica e agora vivendo com muito pouco, Ip Man é obrigado a trabalhar pela primeira vez na vida. Devido à Guerra, as opções não são muitas, e seu destino é uma fábrica de carvão. É nesta fábrica que, diariamente, soldados japoneses recrutam lutadores para um torneio promovido por seu General, onde os homens precisam provar suas habilidades marciais em troca de um saco de arroz. Ao perceber que um grande amigo seu não voltou do torneio, Ip Man prontifica-se a participar.

Após derrotar 10 homens simultaneamente, a habilidade e técnica de Ip Man são reconhecidas imediatamente pelo General japonês, que tenta a todo custo convencer o mestre a ensinar seu kung-fu às tropas do Japão. Para o orgulhoso e patriótico Ip Man, esta é uma possibilidade fora de cogitação. Seria preferível morrer a ensinar estes homens.

Como se não bastassem os problemas com o exército, o povo ainda é assolado constantemente por hordas de bandidos e gangues. Um dos alvos preferidos dos ladrões é a fábrica de algodão do tio de Ip Man. Após um dos ataques à fábrica, Ip Man finalmente quebra sua promessa e começa a treinar todos os funcionários da fábrica para que eles saibam se defender sozinhos.

Diariamente, homens, mulheres, velhos e crianças treinam com Ip Man as técnicas do Wing Chun. Esta é uma das passagens mais legais do filme!

Enquanto Ip Man treina os funcionários, o General japonês continua procurando o mestre chinês em todo canto. Quando finalmente o encontra, da mesma maneira que acontece no Mestre das Armas, ele desafia Ip Man para um combate, com o objetivo de minar a auto-estima do povo através da derrota de seu maior herói. Este duelo vai culminar em uma cena épica. Sobre um tablado decorado com dezenas de bandeiras japonesas, os dois homens enfrentam-se em uma batalha maior que eles mesmos, onde o que está em jogo é a própria honra e orgulho de seus países.

Para quem gosta de filmes de luta, Ip Man é essencial.

O que é legal: As cenas de luta são sensacionais. Mesmo.

O que não é legal:

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Bronson

Fazia tempo que eu não via uma maneira tão criativa de glamourizar a violência.

Bronson está longe de ser um Laranja Mecânica, como diz o cartaz. Mas conversa de perto com a filosofia dos drugues através da insana biografia de Michael Peterson, o preso mais notório da Inglaterra.

Desde criança, a maneira escolhida por Michael para resolver as coisas é a porrada, o que o leva a sua primeira prisão e ao apelido que escolheu para iniciar sua “trajetória”: Charles Bronson, em homenagem a nosso saudoso ídolo. Bronson vê as prisões como hotéis, lugares ideais para ele poder brigar e se preparar para se tornar uma celebridade dos presídios.

E o jeito como ele conta esta história é muito legal. Em um palco, usando fraque e maquiagem, Bronson faz seu monólogo diante de uma plateia comum, que diverte-se com sua saga entre prisões, celas, solitárias e hospícios.

E nós, a outra plateia, também nos divertimos com a performance explosiva de Tom Hardy. Assim como seu personagem, o ator carrega o filme na força, sozinho, sem parar para respirar. Bronson é forte, rápido, seco como uma pancada. Quando você vê já acabou.

Filme diferente, interessante e bacana. Vale muito a pena! Com o Bronson no nome, não poderia ser diferente.

O que é legal: Tem uma cena no hospício que é espetacular, onde o Bronson vandaliza a festinha dos loucos ao som de Pet Shop Boys. É nesta e em outras cenas surreais que sente-se a mão do diretor querendo fazer algo como o Laranja Mecânica. Pensando bem, não é difícil entender o porquê da comparação.

O que não é legal: A narrativa teatral beira muito o artismo que eu tanto critico…

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