
Dedos arrancados com faca cega. Dedos decepados dentro do missoshiru. Dedos arrancados com estilete. Não importa como, se tem uma coisa que Outrage manda longe são os dedos da Yakuza.
A trama é um pouco confusa, até porque torna-se virtualmente impossível entender bem o papel de cada personagem em um filme cheio de japoneses de terno preto. Não me levem a mal, por favor, mas eu tenho dificuldade em diferenciar. É como nos filmes de guerra, que demoro a entender quem é quem naquele mar de soldados vestidos do mesmo jeito e com as mesmas caras de mulambentos selvagens.
Enfim. O que acontece é que as várias famílias da Yakuza jogam um jogo de poderes, onde cada um interpreta seu personagem rumo ao poder e ao dinheiro. Traição, mentira, trapaça. Outrage possui todos os ingredientes de uma novela mexicana, mas com o tempero do wassabi e a crueldade da terra do sol nascente. Neste jogo, o personagem do psicótico Takeshi Kitano deveria ter pendurado as chuteiras há muito tempo. Ele é um mafioso das antigas, que respeita a honra e a tradição de cortar os dedos por qualquer motivo (o seu e o dos outros). É desse jeito que ele se mete em uma grande enrascada, onde ninguém é confiável e a violência rola solta.
Bom filme para quem curte a insanidade violenta dos japoneses.
