Confesso que, ao ver pela primeira vez o trailer de Avatar, achei que tratava-se apenas de um filme fantástico sobre monstrinhos azuis de outro planeta. Logo ficou claro que ele era muito mais que isso. Avatar é o novo passo da indústria do cinema, dado por um cara que a conhece melhor que ninguém. James Cameron tem o poder de, em tempos de DVD pirata e torrents, conseguir fazer a segunda maior bilheteria de todos os tempos. E isso não é pouca coisa. Com seu 3D espetacular, é um filme para ser visto no cinema. Quem diria que, hoje em dia, eu só conseguiria assisti-lo na terceira tentativa, devido aos ingressos esgotados?
Vamos à história (só para constar, já que a mídia fez bem seu papel de divulgação e meio mundo já conhece o enredo). Avatar se passa no futuro, onde o homem conquistou a próxima fronteira. Em um planeta chamado Pandora, ele luta contra os Na´vi, os nativos da região, para tomar conta de uma rica reserva de recursos valiosos existente no local. Enquanto isso, uma equipe de pesquisadores realiza seu trabalho utilizando avatares, corpos iguais aos dos extraterrestres para onde a mente dos cientistas é transferida. Entre eles está Jake Sully, ex-fuzileiro paraplégico. É ele que irá virar a casaca e se juntar aos alienígenas para combater a invasão humana, em uma história ao melhor estilo O Último Samurai e Dança com Lobos.
É aí que está o maior ponto de críticas do filme: não é uma história original. Concordo, mas com uma grande ressalva. Como já aconteceu tantas vezes no cinema, na literatura e nas artes em geral, grandes histórias merecem ser contadas de maneiras diferentes ao longo dos anos. Neste caso, aparecem as alegorias quanto à política imperialista dos EUA e a extinção dos recursos naturais. Se hoje isso parece bobo e apelativo, imagino que daqui há alguns anos estes temas venham a representar bem o período no qual o filme foi lançado.
Já as características técnicas são inquestionáveis. Estive conversando com um neozelandês que trabalhou na equipe de produção do filme e, para se ter ideia, um grupo de três pessoas passou um ano trabalhando apenas nas tranças dos personagens. Ele também falou de uma garota que ficou três meses fazendo e refazendo uma cena de menos de um segundo, onde a asa da criatura voadora passa debaixo da água de uma cachoeira. O conjunto de todos estes detalhes é impressionante, e a imersão dentro do filme é sensacional.
Para quem espera uma grande história, repleta de inovações, sugiro que baixe um pouco suas expectativas e procure ver Avatar, sim, como o início de uma nova maneira de ver filmes. Vale a pena e é bem mais divertido.
O que é legal: Gostei muito do visual do filme, da construção fantasiosa dos cenários e dos detalhes. Tive a mesma sensação de estar lendo um livro e as imagens da tela serem aquelas que costumam se formar na nossa cabeça. Avatar conseguiu criar um mundo mágico e brilhante, com elementos parecidos com os da Terra, porém vistos sob um olhar totalmente diferente. Particularmente, me amarrei no visual rave-de-chácara do planeta Pandora, com aquela vegetação e águas-vivas voadoras fluorescentes.
O que não é legal: Os diálogos são de matar. Fracos, ruins, cheios de piadinhas sem graça para os pipoqueiros de plantão caírem na gargalhada. O destaque negativo aqui é o discurso pré-guerra que Jake faz para todos os Na´vi. Normalmente emocionantes, estes discursos são o ápice do diálogo do personagem em filmes de batalha. Não foi o caso.
Segue o trailer: